Polícia conclui investigação sobre travesti assassinada depois do Axé

Duas suspeitas foram presas pelo crime, sendo que uma delas já estava fugida em São Paulo, prestes a viajar para a Europa; vítima foi morta após discussão em camarote do Axé Brasil

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

CIDADES / SUPER. BELO HORIZONTE, MG.

Factual de assassinato de travesti

FOTO: LINCON ZARBIETTI / O TEMPO / 16.08.2014
Lincon Zarbietti / O Tempo
CIDADES / SUPER. BELO HORIZONTE, MG. Factual de assassinato de travesti FOTO: LINCON ZARBIETTI / O TEMPO / 16.08.2014

As responsáveis pelo assassinato de uma travesti na saída do Axé Brasil, em agosto deste ano, foram apresentadas nesta quarta-feira (24) pela Polícia Civil no Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa. Suspeitas e vítima se desentenderam no evento e acabaram se reencontrando depois da festa.

De acordo com a delegada Alice Batello, Cleibe Júnior, de 30 anos, conhecido como Samanta estava em um camarote do Axé Brasil no dia 16 de agosto, no estádio Independência, no Horto, região Leste de Belo Horizonte, quando encontrou com dois desafetos, a travesti conhecida como Grampola ou Fernanda, de 25 anos, e a ex-travesti - já que passou por uma cirurgia de mudança de sexo - Gisele, de 28 anos.

Samanta estava com uma amiga, identificada como Monique, e as duas tinham uma rivalidade com Grampola e Gisele, devido a brigas relacionadas a disputa por pontos de prostituição. As quatro se encontraram no camarote e Grampola se referiu a uma amiga de Samanta, que não estava presente, de forma pejorativa: "cadê aquela bicha de peruca?". Por causa disso, as quatro iniciaram a discussão no camarote com direito a provocações e troca de insultos, até que Grampola foi atingida no nariz, e ficou enfurecida porque havia passado recentemente por uma cirurgia no local.

Passada a discussão e dispersão das envolvidas elas se reencontraram após o evento. Grampola e Gisele estavam em um bar, perto do estádio, no bairro Sagrada Família, quando viram passando pela rua Samanta e Monique junto a outras pessoas. Com raiva por causa do estrago no nariz, Grampola pegou uma faca no balcão do bar, pôs embaixo do seu abadá e passou a seguir o grupo.

Por meio das imagens de câmeras de segurança na região e o relato de testemunhas, a polícia solucionou o crime, que aconteceu da seguinte forma: Grampola e Gisele passaram a provocar o grupo, o que gerou uma discussão. "No vídeo dá pra ver uma das amigas da vítima nervosa, apontando o dedo para as suspeitas", contou a delegada. No meio da confusão, Grampola pegou a faca e atingiu a barriga de Samanta, que saiu cambaleando.

Monique tentou ajudar a amiga, mas Grampola foi pra cima delas com a faca na mão. Neste momento, um amigo da vítima pega um pedaço de pau para espantar as suspeitas, e depois ele e Monique saíram correndo do local. Samanta fica caída sozinha no chão, quando Grampola se aproxima e a esfaqueia ainda mais. Enquanto isso, Gisele fica ao lado da suspeita, acompanhando tudo. Após o crime, as duas se afastam do local e se cumprimentam com a mão no ar, e depois vão para a casa de Gisele onde passam a noite.

Samanta chegou a ser levada para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, mas não resistiu a gravidade dos ferimentos e morreu na unidade.

A prisão

Grampola foi presa em São Paulo, na cidade de Santo André, no dia 11 deste mês, com o apoio de uma equipe da polícia de Santo Amaro. Ela estava escondida na cidade de São Bernardo, na casa de uma tia, após ir fugida para Governador Valadares. As investigações concluíram que o plano de Grampola era sair de São Paulo e ir para a Europa.

No mesmo dia, foi presa também Gisele, em Belo Horizonte, simultaneamente a prisão de Grampola. As duas irão responder por homicídio duplamente qualificado sendo as qualificações motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Ela podem pegar entre 12 a 30 anos de prisão pelo crime.

Grampola confessou parcialmente o assassinato, mas alegou que foi provocada pela vítima e agiu em legítima defesa.

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