Maioria das bikes infantis é insegura, constata Proteste

Dos cinco modelos avaliados, só um apresenta características de segurança para a garotada; veja dicas da associação para a compra de uma bicicleta

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

acir galvao
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Quatro de cinco modelos de bicicletas infantis aro 16 (indicados para crianças entre quatro e oito anos) foram eliminados em teste realizado pela Proteste Associação de Consumidores por falha na segurança. Ou seja, resta apenas uma alternativa para presentear a garotada com segurança no Dia das Crianças.

Os modelos Colli e Track & Bike tiveram as rodinhas de suporte deformadas durante os testes, o que representa um grande perigo de queda enquanto as crianças pedalam. Já as bicicletas Tito e Houston apresentaram as distâncias entre as rodinhas e centro do quadro da bicicleta abaixo da medida mínima considerada segura.

Além disso, nos ensaios dinâmicos (fadiga), simulando o uso cotidiano da bicicleta pela criança, o modelo Colli apresentou uma rachadura do garfo e uma ruptura do selim. A manopla de todas as marcas não tem a extremidade larga suficiente (40 mm no mínimo) para evitar que as mãos das crianças escorreguem e as bicicletas Houston, Tito e Tricke & Bikes não tinham uma proteção total da corrente.

Em outubro de 2009, a Proteste já havia denunciado que as bicicletas infantis brasileiras expõem as crianças a sérios riscos, quando todas as seis avaliadas foram eliminadas. Na ocasião, os seis modelos testados foram reprovados por apresentarem rodinhas inseguras. Cinco anos depois, falhas graves na segurança se repetem. Persistem além de rodinhas que se deformam e fazem a criança que ainda está aprendendo a andar perder a estabilidade, a falta de cobertura nas correntes e de proteção no cabo de freio, instruções de montagem e uso que garantam a segurança dos produtos.

Diante dos resultados, a Associação está pedindo que sejam adotados critérios mais rigorosos de segurança, por meio da revisão das normas técnicas, para que os produtos disponibilizados no mercado não exponham mais as crianças a tais perigos. Foram solicitadas providências ao Instituto Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

E com relação aos modelos Colli e Track & Bikes, eliminados por deformação de suas rodinhas, foi pedido ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) e ao Procon-SP a retirada imediata do mercado. O recall deve contemplar, no mínimo, o problema das  rodinhas, trocando-as por outras mais seguras, e dar instruções sobre o modo correto de montar as bicicletas.

Apenas o modelo Caloi foi considerado suficientemente seguro, por ser o único produto a ter condições a não apresentar os principais problemas apontados no teste, além disso, é o único modelo que permite que as rodinhas sejam instaladas de forma independente do eixo traseiro. Em todos os demais, a ação passa, necessariamente, por um desaperto da fixação do eixo traseiro, o que pode originar um afrouxamento involuntário da roda de trás ou até uma diminuição da tensão da corrente.

Na avaliação dos freios, apenas os modelos Caloi, Colli e Houston se mostraram seguros. Foram detectados problemas no freio dianteiro da marca Tito, que ultrapassa a força máxima de frenagem, podendo causar um capotamento, caso seja o único recurso para frear a bicicleta; e na montagem do cabo de freio e no próprio freio traseiro da Track & Bikes, que não assegura a força mínima de frenagem, aumentando a distância necessária para a parada total da bicicleta.

Modelos possuem montagem complexa No quesito montagem, o modelo Tito é o único mais simples, que precisa apenas de ajustes nas posições corretas para estar pronta a ser utilizada. As outras bicicletas são mais complexas e algumas apresentaram características perigosas, por exemplo: falta de uma das travas para o freio, o que consideramos muito grave, já que nessas condições a bicicleta não vai parar; e cabo de comando dos freios muito comprido, o que no caso de uma instalação sem a diminuição deste cabo pode fazer com o mesmo se embole com os raios da roda dianteira da bicicleta.

Além disso, nenhuma das bicicletas apresentaram sistema de travamento em todos os parafusos de fixações de partes importantes (mecanismo de freio, garfo, guidões, quadros, paralamas).

Os modelos testados foram: Caloi Monster High; Colli Renault MTB; Houston NIC; Tito T16 e Track & Bikes Dino Neon.

Serviço: - Para amenizar os  riscos que a criança pode correr, só compre bicicletas que já venham montadas e que disponibilizem agentes autorizados, seja para a montagem ou manutenção. - Para diminuir os riscos, é aconselhável ensinar a criança a andar sem as rodinhas o quanto antes. - Após um mês de uso, retorne à loja ou ao agente autorizado para checar se ajustes são necessários. - Se você perceber que as manoplas da bicicleta tiverem os problemas apontados pela Proteste, troque-as em loja especializada. - A  bicicleta segura  não  tem pontas expostas (sem proteção) que possam machucar a criança. Ela traz proteção na corrente e seu banco não se move  quando sofre pressão em alguma extremidade. - Da mesma  forma, só permita que seus filhos andem de bicicleta se estiverem  com equipamentos de proteção, como  capacete, joelheiras e cotoveleiras. E supervisione-os até que já saibam se equilibrar sem as rodinhas. Muito cuidado para colocar e retirar as rodinhas, já que pode haver um desaperto da fixação do eixo traseiro, podendo haver um afrouxamento da roda traseira e até diminuição da tensão da corrente. Por isso, recomendamos que seja este procedimento seja feito por um técnico especializado.

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