“Campanha começou agora”

Tarcísio Delgado CANDIDATO A GOVERNADOR PELO PSB

iG Minas Gerais |

DENILTON DIAS
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O que aconteceu para que o senhor voltasse à cena política nessa disputa para governador? O senhor está atendendo um pedido pessoal?

Não era meu propósito voltar a ser candidato, número um. Número dois: eu sou um político que, graças a Deus, tem história. Eduardo Campos e Marina Silva conheciam a minha história. E, no momento em que o partido se viu em dificuldades, Eduardo Campos entendeu que precisava de um candidato em Minas. Ele e Marina não podiam ficar aqui sem um palanque. Eu nem poderia imaginar a hipótese de candidatura, mas o Eduardo me chamou a Brasília e me fez esse convite. Ele e Marina me disseram que eles precisavam de candidato em Minas e que eles tinham quadros pequenos no Estado. Eles entenderam que o meu perfil era o melhor para carregar essa bandeira. Apesar de eu não estar disposto nem ter ido lá para isso, eu sou do tipo de homem que não sabe dizer “não”. Eu sou uma pessoa afirmativa. E achei que era uma boa oportunidade de poder dizer isso que estou dizendo agora para muitas plateias. O senhor tem falado muito em campanha de suas experiências como prefeito de Juiz de Fora. Seria uma transposição do programa municipal para o estadual. E não seria uma proposta simplista diante de um Estado com tantas contradições?

Eu perguntaria, no seu lugar, se o Estado resolveria todos os seus problemas de cima para baixo, sem resolver os problemas dos municípios. Se você fez num município, você pode repetir em outro e pode fazer em todos. Depende só do gerenciamento, da determinação. Quando eu cheguei a Juiz de Fora e falei o que ia fazer, as pessoas me disseram a mesma coisa: “Você ficou doido, isso não é coisa de fazer em prefeitura grande”. E fizemos. E fomos premiados algumas vezes no Brasil e fora do Brasil. A minha administração de 1983 a1988 foi absolutamente revolucionária. Pode-se tranquilamente trazer para o Estado aquilo que nós fizemos lá, trabalhando nos municípios. E nós só teremos um Estado melhor. Não vai se fazer de cima para baixo, vai se fazer de baixo para cima. É tirar o governo do palácio, abrir as portas e trazer para o nível das ruas e dos campos.

O senhor tem criticado muito a gestão do governo na questão da educação. Como corrigir isso? Será possível pagar o piso dos professores?

Seria fazer o que eu fiz em minha experiência administrativa. Em nossa cidade, são 11 escolas estaduais e 125 escolas municipais. Os pais não queriam matricular os filhos na rede estadual porque a escola municipal tinha uma qualidade infinitamente melhor. Tomamos medidas diferenciadas. O salário era acima do piso. Criamos o programa de cargos e salários, com promoção a cada três anos e com aumento a cada promoção. No final da carreira, o professor estava com vencimento muito superior na hora de aposentar. </MC><MC>Fiz um convênio com as padarias do bairro e com os produtores de leite, e nós fornecíamos às crianças leite in natura e pão fresquinho. A merenda era controlada por uma nutricionista. Colocamos dentro da escola um gabinete dentário. Nós chegamos a uma sofisticação de examinar todos os alunos num exame oftalmológico. Fizemos os exames e demos os óculos para as crianças, 13,5% dos alunos. O aproveitamento melhorou, e nós temos muito orgulho disso. Mas vai ter reajuste?

Primeiro tem-se que buscar recursos para pagar o piso. O pessoal do governo diz que o Estado está falido. Se você começa a implantar, em qualquer obra do governo, eficiência e austeridade, você consegue economia. Outra coisa: a espoliação que Minas sofre na exploração de seus minérios. É um absurdo, é um crime que o governo do Estado tem obrigação de levantar, porque dessa fonte podem vir recursos muito fortes para ajudar na educação, por exemplo. No último domingo, tivemos o jogo entre Atlético e Cruzeiro no Mineirão, que mais uma vez repetiu o problema da violência nos estádios. O senhor é a favor dos jogos com as duas torcidas na mesma proporção? E como resolver esse problema da segurança?

Esse problema pode ser resolvido com duas frentes: uma, a repressiva. Tem que reprimir os vândalos, ter controle na entrada, não deixar entrar com nenhum tipo de arma. A outra está muito longe do campo de futebol: está na educação da juventude, que é abandonada, vai pra briga, quer confusão de graça. Eu caminharia para não ter separação de torcida, pois essa separação só cria um antagonismo. Mas isso não aconteceria se os jovens estivessem na escola. A separação não contribui com coisa nenhuma. Qual a proposta para conter o avanço do crack, especialmente em cidades de médio porte, como Juiz de Fora?

Eu combati o crack, levei os meninos para aprendizagem profissional, e alguns deles, hoje, são donos de empresas pequenas, são empregados e são pessoas que nós tiramos da rua. Tiramos os meninos das ruas de Juiz de Fora e levamos para a Casa do Pequeno Jardineiro. Hoje, temos mais de cem meninos – que hoje são adultos e pais de família empregados em Juiz de Fora. Um grupo de policiais, uma vez, convocou uma audiência, e falaram que precisavam abordar um menino muito perigoso, o Marquinhos, de 14 anos, chefe de gangue. Mandei buscar o menino, que nem conversava direito, e, no fim da audiência, entreguei a ele uma carteirinha com o retrato dele e o meu do lado. Falei para ele: “A partir de agora, o que você fizer de besteira eu faço também”. Para resumir, hoje ele é mecânico e tem uma oficina com três empregados. Como ele, tem uma série. É fazer isso, é trabalhar. No início da campanha, o senhor tinha cerca de 3%. E hoje, está por volta de 4%. Qual a avaliação do baixo crescimento? Marina Silva não tem auxiliado sua campanha?

Obviamente, não tinha nenhuma ilusão de disputar o governo lá na cabeça, mas esperava resultado melhor, o que ainda estou achando que vai acontecer. Há uma dificuldade muito grande nessa área, porque não se tem como mexer com pesquisa. Divulgaram a pesquisa com 3%, agora 4%, mas tem a margem de erro. Para ser sincero, campanha mesmo eu comecei na semana passada, porque nem material impresso eu tinha. Muito pouco, quase nada. Não tenho painel nas ruas. A minha campanha começou agora, 20 dias antes da eleição. E vamos caminhar, e estamos caminhando para resultados. A Marina tem me ajudado no máximo que pode. Está ajudando na medida do possível. Caso se confirme esse crescimento, o senhor pode chegar na casa de 8% a 10% e forçar um segundo turno. Qual candidato o senhor vai apoiar?

Isso quem vai decidir é o partido e certamente só será discutido a partir do dia 6 de outubro. Estou criticando muito o governo do Estado, mas tenho também severas críticas ao outro candidato. Estava inclusive esperando-o no debate para responder a elas, mas ele não apareceu. No início da campanha, o senhor afirmou que jamais se colocaria ao lado de um tucano. E já sinalizou a necessidade de uma afinidade com o governo federal, o que dá a entender que o senhor está caminhando...

Não estou caminhando. Já disse que é o partido que vai definir isso. A visão política não caminha por meio de simpatias, pessoais ou não. O partido vai definir qual é a posição.

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