Redes sociais e eleições

iG Minas Gerais |

Três em cinco eleitores brasileiros estão nas redes sociais. O dado é expressivo. Indica que a campanha eleitoral entrou bem nos corredores eletrônicos. A situação merece destaque pela introdução das ferramentas da era tecnotrônica em nossa seara política, até então afeita a rudes costumes e velhas práticas. Do centro aos confins do território, a chave eletrônica começa a abrir a cabeça de um eleitor cada vez mais antenado. A par da planilha de grandes números, como 9 milhões de interações com conteúdo relativo aos últimos dois debates entre presidenciáveis, convém destacar os significados que esse novo ciclo expressa na vida das nações, cujas características comportam a escalada das classes médias, a expansão do setor terciário, o gigantismo dos núcleos universitários, as indústrias de ponta, o incentivo às modernas tecnologias e os trabalhadores bem-formados e informados, entre outras. A importância da absorção do ferramental tecnológico pela política reside no fato de que esse aparato eletrônico funciona como extensão da liberdade de expressão. Sob esse aspecto, ajuda a reforçar a expressão individual e a dar vazão às demandas dos novos polos de poder que se formam na sociedade. A crise da democracia representativa acaba promovendo a descrença social. Uma locução de indignação emerge. As manifestações das ruas traduzem esse espírito. As redes sociais, nesse vácuo, constituem o ancoradouro natural para acolher o clamor geral. Descobre o eleitor que, pela via eletrônica, sua voz pode chegar aos ouvidos de milhares de outros. Não é de admirar que as redes se transformem em correias de transmissão do clima social. A linguagem é a das ruas, inclusive no palavrório desbocado, nas interpretações maldosas de situações, na defesa, xingamentos e acusações a candidatos, o que deixa transparecer exércitos de um lado e de outro, a puxarem o cabo de guerra de candidaturas. As trombadas, pois, fazem parte desse iniciante capítulo que se desenvolve nas diferentes teias sociais e mídias, particularmente pelos jovens, que registram elevado índice (85% deles) de consumo da internet. Se a lenga-lenga nas redes não chega a alterar os mapas eleitorais, pelo menos consegue salpicar o desértico jardim político com respingos de querelas entre grupos. O ensaio de politização nas redes é um bom sinal, a indicar que a política está mexendo com o ânimo social. Já os candidatos precisam aprender a usar melhor os canais tecnológicos. Em vez de autoglorificação, deveriam se propor a interagir com os eleitores e a debater ideias com adversários. Qualquer movimento na direção da meta de amplificar a locução social merece reconhecimento. Urge, como diz a expressão, “democratizar a democracia”; propiciar o encontro da democracia representativa com a democracia participativa; revigorar os instrumentos por esta usados; fortalecer os novos núcleos de poder; e incentivar novas modalidades de comunicação. A engrenagem democrática, aqui e alhures, é um permanente exercício de retoque em suas ferramentas e peças.

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