Brasil não assina declaração que trata do desmatamento

Obama assumiu responsabilidades, mas cobrou atitude do governo chinês

iG Minas Gerais |

Realidade. Ator Leonardo DiCaprio discursou durante a cúpula e disse que mudanças não são “histeria”
Richard Drew
Realidade. Ator Leonardo DiCaprio discursou durante a cúpula e disse que mudanças não são “histeria”

NOVA YORK, EUA. O Brasil não assinou um documento elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e apresentado nesta terça durante a Cúpula do Clima, em Nova York, propondo a redução pela metade do desmatamento das florestas no mundo até 2020 e zerando esse índice até 2030. Com o acordo, a emissão anual de CO2 seria cortada entre 4,5 e 8,8 bilhões de toneladas.  

A Declaração das Florestas de Nova York ganhou a adesão de mais de cem entidades civis, comunidades indígenas e de países como Estados Unidos, Canadá, Noruega, Inglaterra e Indonésia. No entanto, além do Brasil, China e Índia – que também estão entre os maiores desmatadores do mundo – rejeitaram o documento.

Em entrevista à Associated Press, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o governo brasileiro “não foi convidado a se engajar no processo de preparação” do documento por temer que o texto colidisse com leis nacionais. “É diferente ter deflorestamento legal e deflorestamento ilegal. Nossa política nacional é combater o desmatamento ilegal”, explicou a ministra.

O Greenpeace, por sua vez, também considerou o documento “vago demais”, já que não estabelece punições ou o acompanhamento das metas estabelecidas pelos próprios signatários.

Reunião. Chefes de Estado de diversos países participaram do encontro. O presidente norte-americano, Barack Obama, usou seu discurso no evento para assumir a responsabilidade de seu governo e, também, pressionar a China a tomar atitudes. O mandatário disse que as regras do jogo climático mudaram.

“Eu me encontrei com o vice-primeiro-ministro da China, Zhang Gaoli, e reiterei minhas crenças de que, como as duas maiores economias e emissoras no mundo, nós temos uma responsabilidade especial. Isso é o que as grandes nações devem fazer”, afirmou Obama. “Economias emergentes provavelmente produzirão mais e mais emissões de carbono nos próximos anos. Então ninguém pode ficar às margens do assunto, nós temos que deixar de lado nossas velhas diferenças”, observou.

Agricultura. Na área de agricultura, a meta é ajudar 500 milhões de pequenos fazendeiros a reduzir suas emissões e trabalhar na adaptação dos impactos do clima. No setor industrial, principalmente na geração de energia, a principal ação seria reduzir metano, carbono negro e hidrofluorcarbonetos para frear o aumento da temperatura global.

No setor de energias renováveis, 19 países africanos sancionaram a iniciativa do Corredor de Energias Limpas da África, que pretende cortar as emissões anuais de CO2 em 310 toneladas métricas até 2030. Ilhas do Caribe, África e Oceano Pacífico também se comprometeram a aumentar a parcela de energia renovável.

Também foram anunciadas propostas para investimento tecnológico na criação de meios de transporte com baixa emissão de carbono, como veículos elétricos, e como eles podem ser empregados na melhora nos transportes públicos.

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