CNV diz que 48 presos morreram ou desapareceram no DOI-Codi do Rio

No prédio onde havia dois pavilhões para interrogatórios e prisão de homens e mulheres, os integrantes das comissões encontraram salas destinadas hoje a burocracia da unidade militar

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A Comissão Nacional da Verdade descobriu que 33 presos que passaram pelo antigo DOI-Codi [centro de repressão do Exército] no Rio estão desaparecidos e 15 morreram durante a ditadura militar (1964-1985). A informação foi divulgada nesta terça-feira (23) pelo presidente da comissão, Pedro Dallari, após visita ao local.

Entre os desaparecidos está o ex-deputado Rubens Paiva, morto em janeiro de 1971. Outros desapareceram após deixar o local e encaminhados para outros centros de tortura como a Casa da Morte, em Petrópolis, ou até para o Hospital Central do Exército. No antigo prédio do DOI-Codi funciona hoje o Quartel de Policia do Exército.

"A visita foi muito boa para detalharmos o local o que permitirá a CNV cumprir com nossa finalidade de relatar os fatos. Houve, claramente, um desvio de finalidade dos órgãos militares", afirmou Dallari. Representantes das comissões nacional e estadual da Verdade, além de peritos e de ex-presos do local visitaram o quartel por pouco mais de duas horas. Nos relatos, a constatação de que pequenas mudanças foram feitas nos locais de tortura.

No prédio onde havia dois pavilhões para interrogatórios e prisão de homens e mulheres, os integrantes das comissões encontraram salas destinadas hoje a burocracia da unidade militar. "Essa visita representa, antes de tudo, na recuperação da memória dessas pessoas, deste local. Vai ser possível contar em croquis e montar o quebra-cabeça que mostrará a mudança arquitetônica interna, além das técnicas de tortura trazida por ingleses para cá", contou João Ricardo Dornelles, da Comissão Estadual da Verdade.

No olhar de seis ex-presos, ao deixar o local, a emoção de visitar onde foram torturados. "O prédio está a mesma coisa. Voltei onde fui parar no pau de arara, fui torturado e em que Rubens Paiva morreu. Saio com a sensação de cumprir uma missão histórica", afirmou o jornalista Alvaro Caldas, que ficou três meses preso do DOI-Codi, no Rio.

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