Racionamento em Igarapé faz faltar água todos os dias

Município é um dos 12 mais críticos do Estado e população sofre os efeitos do desabastecimento

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Outra rotina. Dona Albertina Aguiar tem que acordar todo dia de madrugada para aproveitar que tem água para lavar as roupas
Lincon Zarbietti / O Tempo
Outra rotina. Dona Albertina Aguiar tem que acordar todo dia de madrugada para aproveitar que tem água para lavar as roupas

Há dois meses, o despertador da aposentada Albertina de Souza Aguiar toca às 5h, uma hora e meia antes do habitual. O motivo: lavar roupa antes que o fornecimento de água do bairro Lago Azul, em Igarapé, seja cortado. A cidade, que fica a 33 quilômetros de Belo Horizonte, está na lista de 12 municípios em situação crítica, onde a Copasa foi autorizada na semana passada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a realizar campanhas de uso racional da água. Na prática, porém, o que já acontece há dois meses é um rodízio no abastecimento, com falta de água em dias ou horários alternados conforme o bairro.

“Acordo cedinho para bater a roupa com a água que vem da rua. A da caixa eu deixo para lavar vasilha, passar pano no chão, cozinhar e tomar banho”, diz Albertina. A vizinha Rosângela Rodrigues recorreu aos baldes e latas que tem em casa para atravessar o tempo seco. Sempre que a água chega, ela armazena para usar depois. Até a água que usa para lavar roupa ela reaproveita para limpar o quintal, onde cria cachorros. “Todo dia falta água. Na hora do almoço, chega e fica umas duas horas. Depois acaba de novo e volta só de madrugada”, diz.

No bairro Três Poderes, a dona de casa Divina da Penha conta com a boa vontade do proprietário da casa em frente para não passar necessidade. Na casa dela, a água acabou na última sexta-feira e só deve voltar na quinta-feira desta semana. “Disseram que o corte foi para levar a água para a parte alta da cidade”, diz. Já sem água na caixa d’água, ela emendou três mangueiras e fez uma ligação direta com a caixa d’água da casa vizinha, que está desocupada. “O dono deixou para ajudar a gente”, conta. Na mesma rua, o pedreiro Silvio Resende estava com as torneiras secas. “Está faltando sempre”, reclama.

Copasa informa que rio Estivas é o problema A longa estiagem reduziu a vazão do córrego Estivas, que fornece água para 35% de Igarapé, e provocou “intermitência no abastecimento”, segundo a Copasa. A empresa diz que está realizando “manobras operacionais no sistema” para atender à população e reforça a necessidade do uso racional da água. A Copasa informa também que pretende publicar ainda neste mês um edital para obras de ampliação do sistema de água da cidade. Orçadas em R$ 10 milhões, as intervenções são apontadas pela empresa como a “solução definitiva” para Igarapé. Além de Igarapé, estão em situação crítica e terão campanhas de conscientização, segundo a Copasa, Entre Rios de Minas, Arcos, Santo Antônio do Monte, São Gonçalo do Sapucaí, Lavras, Rio Paranaíba, Campos Altos, Prata, Pará de Minas, Barbacena, e Espera Feliz.

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