Tripanossomose mata 500 cabeças de gado no Estado

Abaeté, Pompéu, Biquinhas e Paineiras registraram casos

iG Minas Gerais | LUDMILA PIZARRO |

Risco. Doença só é fatal em casos agudos, mas gado doente perde peso e diminui produção de leite
VICTOR SCHWANER / O TEMPO
Risco. Doença só é fatal em casos agudos, mas gado doente perde peso e diminui produção de leite

A tripanossomose matou, nas últimas semanas, cerca de 500 cabeças de gados na região Central do Estado, número não oficial divulgado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Segundo o analista de agronegócio da Faemg, Wallisson Fonseca, algumas cidades atingidas são Abaeté, Pompéu, Biquinhas e Paineiras.

A doença, causada pelo protozoário Trypanosoma vivax, é uma zoonose, ou seja, não afeta os humanos. Ela só é fatal em quadros agudos, mas o gado doente perde peso e diminui a produtividade de leite. “Ela ataca principalmente os bovinos, mas pode atingir suínos também”, explica o professor da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Antônio Último de Carvalho.

Para Wallisson Fonseca, é importante agora implementar ações para impedir a disseminação da tripanossomose. “O produtor que identificá-la em um animal deve fazer o teste em todos, porque um boi contaminado, mas sem os sintomas, pode contaminar os demais. Também precisamos saber quantos animais estão com o protozoário para solicitar medicação, pois a doença tem tratamento”, esclarece. Uma força-tarefa será realizada pelos sindicatos rurais para atuar no diagnóstico da tripanossomose em toda Minas Gerais.

Nota técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) esclarece que “pelas informações epidemiológicas disponíveis até o momento, o Departamento de Saúde Animal não considera tratar-se de uma situação de emergência sanitária, pois a doença não está sendo causada por nenhum agente novo e exótico no país”.

Conhecida desde 1942, a tripanossomose é endêmica em alguns Estados como Pará e Mato Grosso. Segundo o professor Último de Carvalho, a mortalidade acontece, no momento, porque a doença na região ainda não entrou em equilíbrio. “Ela afeta animais susceptíveis e chega à fase aguda. Mas com o tempo, os animais criam resistência, e o prejuízo para o produtor acontece na perda de peso e na baixa produtividade de leite”, explica o professor da UFMG.

Medicação

Licença. Um dos objetivos de mapear a doença no Estado é conseguir o licenciamento para importação de medicação. Hoje, há apenas uma droga licenciada no Brasil contra a enfermidade.

‘Mosca de estábulo’ é a transmissora A tripanossomose é transmitida por uma mosca hematófoga conhecida como “mosca de estábulo”, ou pela contaminação por meio de seringas. “Depende muito da boa prática do produtor, no sentido de esterilizar as agulhas se for usar em mais de um animal, ou usar seringa descartável”, alerta Wallisson Fonseca. A grande preocupação agora é com a chegada do verão. “Com o clima quente e úmido, as moscas aumentam muito. Tem que manter o ambiente limpo”, diz o analista da Faemg.

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