Doação de órgãos em debate

Durante esta semana, evento nacional sensibiliza sobre importância de viabilizar transplantes

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Caminhantes – Caminhada pelos Transplantes ocorre desde 2010
DENILTON DIAS / O TEMPO
Caminhantes – Caminhada pelos Transplantes ocorre desde 2010

Começou nesta segunda, em todo o país, a Semana Nacional de Doação de Órgãos, que tem a intenção de sensibilizar os brasileiros sobre a importância de se tornarem doadores de órgãos, de tecidos e de medula óssea. Na programação, que se estende até domingo, estão debates, palestras, panfletagens e caminhadas, que pretendem conscientizar a sociedade sobre a necessidade de aumentar o número de transplantes no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), embora a taxa de doações tenha crescido no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2013, muito ainda precisa ser feito para que o país atinja a meta estipulada para 2014.

Em relatório publicado recentemente, a ABTO destaca que, entre janeiro e junho, o Brasil atingiu a taxa de 13,5 doadores efetivos por milhão de população (pmp), recuperando parcialmente a queda da taxa de doações do primeiro trimestre do ano, quando foi registrado um índice de 12,8 doadores. A marca, no entanto, ainda está distante da taxa prevista em 2007, de 15 doadores efetivos pmp no fim de 2014. Segundo a associação, é preciso intensificar doações e captações de órgãos para que o país alcance a nova previsão de 14 pmp, estabelecida em meados deste ano. “Temos a meta de aumentar a cada ano a atividade de transplante. O que aconteceu foi que tínhamos uma meta de crescimento, mas, no primeiro trimestre, nos assustamos com um decréscimo. Recuperamos parcialmente, mas ainda temos que fazer muito para que no segundo semestre consigamos alcançar o aumento”, afirmou o coordenador de transplante de fígado do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Agnaldo Soares Lima, membro da diretoria da ABTO. Evento. Daí a importância, segundo o especialista, de a temática estar sempre em pauta. “A Semana Nacional de Doação de Órgãos tem grande simbolismo, porque o debate movimenta mais gente”, afirma Lima, destacando que quando se fala sobre o assunto, normalmente existe uma repercussão favorável na captação dos órgãos. “O transplante já é uma realidade consolidada no Brasil, mas ainda temos índices muito pequenos quando comparados com outros países. De maneira geral, temos um número pequeno de doadores”, diz. Conforme o último levantamento da ABTO, mais de 28 mil pessoas aguardam pela doação de um órgão ou tecido no Brasil – 2.438 delas em Minas. O transplante é a única garantia de sobrevivência para boa parte desses pacientes, segundo a associação.

Famílias

Recusa. A doação de órgãos é efetivada pela família do paciente que teve morte encefálica. Segundo a ABTO, a taxa de negativa familiar do primeiro semestre permaneceu elevada, em 47%.

Saiba mais

Como funciona. Todas as pessoas são consideradas potenciais doadores de órgãos. Em vida, podem ser doados rim, parte do fígado e medula óssea.  Benefício. Após a confirmação da morte encefálica, um único doador de órgãos beneficia de oito a dez pessoas, com doação de córneas, coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, pele, ossos e válvulas cardíacas. O fator determinante para a doação é a condição de saúde do doador. Família. A doação de órgãos deve estar presente nas conversas familiares, para que as pessoas tomem sua posição, segundo o médico Agnaldo Soares Lima. “Se o parente ouve a pessoa dizer que quer ser doadora de órgãos, isso normalmente é atendido pela família em uma eventualidade de morte encefálica”, ressalta.

Parque Municipal de BH recebe evento pela conscientização No próximo sábado, a partir das 8h, o Parque Municipal receberá a quinta edição da Caminhantes – Caminhada pelos Transplantes. Realizado desde 2010 pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, o evento busca conscientizar a sociedade sobre a importância da doação de órgãos, de tecidos e de medula óssea. Ao todo, mil pessoas são esperadas para a caminhada, incluindo pacientes transplantados e que estão na fila de espera por um órgão, familiares e equipes do hospital. Durante a manhã, os participantes poderão participar de ações de saúde, como medição de pressão arterial e orientação nutricional, além de assistir a atrações de música e dança. Segundo a enfermeira Malvina Duarte, uma das organizadoras do evento, muitas pessoas acham que os transplantados evoluem rapidamente para o óbito, o que não é verdade. “Vendo o tanto que os pacientes transplantados estão bem, as pessoas são encorajadas a doar”, afirmou.

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