O clássico da insegurança

Autoridades e concessionária do estádio parecem não ter aprendido com a Copa do Mundo

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira /Guilherme Guimarães |

Várias frentes. Como não se bastassem os tiros no centro da cidade, bombas e sinalizadores dentro do estádio, ainda houve muitas cadeiras quebradas
douglas magno
Várias frentes. Como não se bastassem os tiros no centro da cidade, bombas e sinalizadores dentro do estádio, ainda houve muitas cadeiras quebradas

O Mineirão é um estádio moderno, mas o velho problema da violência no futebol ainda é recorrente. Responsáveis pela segurança do torcedor, a Polícia Militar e a Minas Arena – por meio de empresa de segurança privada contratada – continuam mostrando várias falhas em ações preventivas, o que dificulta a pronta resposta e favorece o conflito entre torcidas rivais ou mesmo entre a mesma torcida.  

Foi isso o que aconteceu no último domingo, no clássico entre Cruzeiro e Atlético, quando o árbitro Marcelo de Lima Henrique teve que paralisar a partida por causa das inúmeras bombas que estouravam nos dois lados das “arquibancadas”.

Tudo isso acontece devido ao novo modelo de gestão privada das novas arenas, que, desde o ano passado, prioriza a segurança particular em detrimento da presença dos militares, que só agem em situações extremas. Desde o começo do novo sistema, o efetivo interno da PM foi reduzido em 70% para tais eventos.

A própria Polícia Militar concorda que é preciso rever procedimentos operacionais para impedir a entrada de artefatos explosivos e armas no estádio, como no domingo. Neste momento, não há uma solução para o problema.

“Com relação às revistas (na entrada), elas são feitas. Temos garantido que as buscas sejam realizadas pela segurança privada. Infelizmente são buscas ligeiras e há a possibilidade de o cidadão entrar com alguma coisa”, ressaltou o coronel Ricardo Machado, chefe do Comando de Policiamento Especializado da capital.

Revistas. Na verdade, seria “humanamente impossível” impedir a entrada de materiais perigosos, como foi dito à reportagem por policiais. No último clássico, foram 22 rojões, duas bombas-garrafão, um soco inglês e um sinalizador apreendidos.

Em nota, a Minas Arena informou apenas que “a segurança compartilhada permitiu que os torcedores responsáveis por praticar atos de violência fossem rapidamente identificados, e os infratores, detidos”.

A empresa não respondeu sobre a revista compartilhada e nem sobre a instalação de detectores de metal ou raio X, tal como na Copa. Os aparelhos usados no Mundial foram alugados temporariamente.

Justiça afasta torcedores de jogos por 4 meses As brigas e tumultos ocorridos no clássico do último domingo resultaram em seis torcedores processados, sendo que três aceitaram a proposta de transação penal e estão proibidos de frequentar os estádios de futebol pelos próximos quatro meses. Dentre os outros casos, um não aceitou o acordo e o processo correrá normalmente. Um segundo torcedor não tinha condições de tomar uma decisão devido ao estado de embriaguez. No terceiro processo, não foi possível acessar os antecedentes criminais. Todos os torcedores detidos durante a partida foram conduzidos à delegacia do estádio e, posteriormente, ao Juizado Especial Criminal. O Ministério Público, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que ainda não foi comunicado oficialmente sobre os incidentes e que aguarda o relatório policial para as medidas cabíveis. Punições. O clássico entre Cruzeiro e Atlético será alvo de investigação da Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Procuradores analisarão as imagens do jogo para avaliar a conduta de ambas as torcidas. Raposa e Galo podem ser punidos com a perda de mando de campo. “O que vale é a súmula”, disse o presidente atleticano Alexandre Kalil. O clube tem imagens do ataque ao ônibus do Galo e pode pedir punição ao rival.

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