Sobre o desafio cotidiano e mundano do fazer poético

Poeta Ricardo Aleixo participa nesta terça à noite de edição do projeto Ofício da Palavra

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Artista em múltiplas plataformas, Aleixo fala do papel central da poesia
paulo filho / divulgação
Artista em múltiplas plataformas, Aleixo fala do papel central da poesia

Ricardo Aleixo está em turnê com sua performance “Músicas para Modelos Vivos Movidos a Moedas” até dezembro, apresentando-se nesta sexta no instituto Yorubá, e depois em seis cidades do interior. Em novembro, o poeta lança o livro “Impossível Como Nunca Ter Tido um Rosto”. Para 2015, ele prepara mais quatro livros e uma retrospectiva de seu trabalho audiovisual. Como se não bastasse, há dois anos Aleixo vem construindo um palco em sua casa para oficinas, suas performances e dos amigos.

Com isso tudo, o grande desafio do seu fazer poético é poder fazer poesia. “Parece óbvio, mas quando se abre o leque de opções criativas, por onde passa também a questão da sobrevivência, sobra menos tempo para fazer poesia de fato”, explica.

É sobre essas questões tão mundanas quanto pertinentes que o poeta fala nesta terça no Ofício da Palavra, no Museu de Artes e Ofícios, a partir das 19h30. No encontro, parte da 8ª Primavera de Museus, Aleixo vai debater sobre como todos os seus projetos como artista plástico, audiovisual, as montagens teatrais e o trabalho como músico foram direta ou indiretamente detonados pelo desejo, no fim da adolescência, de se tornar poeta.

“Mas hoje o poeta tem toda uma batalha desassociada da criação. Não dá pra ter um atitude ingênua achando que nota fiscal, release ou um curso de técnica vocal não lhe dizem respeito”, considera.

Não por acaso, um dos temas recorrentes de sua poesia é o dinheiro. “De um ponto de vista tradicional, seria algo indigno para a poesia. Mas trato como um assunto tão relevante quanto o amor, a amizade, a degradação da cidade, a violência, filhos e pais”, argumenta.

Embora esse caráter iconoclasta tenha feito com que seus versos se tornassem conhecidos por uma visão social crítica e mordaz, Aleixo diz que se vê “como aquilo que antigamente era conhecido como uma moça. Pela fragilidade da democracia no Brasil, qualquer pessoa que fale um tom acima criticamente é dada como polêmica ou mordaz”, afirma. Mas, para ele, sua poesia lida com a palavra mais pelo viés da delicadeza, com muito espaço para o silêncio e “para muita coisa que não se costuma associar ao universo masculino. Como tem uma larga faixa da minha produção que trata do desastre social brasileiro, ela ficou preponderante, mas não é a parcela mais forte dela”, assegura.

Agenda

O que. Ofício da Palavra com Ricardo Aleixo

Quando. Nesta terça, às 19h30

Onde. Museu de Artes e Ofícios – praça da Estação, centro

Quanto. Entrada franca

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