Atleticana relata pressão de seguranças para mudar de lado no clássico

Intolerância de um cruzeirense fez com que seguranças separassem casal nas arquibancadas do Gigante da Pampulha

iG Minas Gerais | GUILHERME GUIMARÃES |

Casal de namorados foi vítima da intolerância de um cruzeirense no Mineirão e precisou assistir ao jogo um longe do outro
GUILHERME GUIMARÃES/O TEMPO
Casal de namorados foi vítima da intolerância de um cruzeirense no Mineirão e precisou assistir ao jogo um longe do outro

Comprar ingresso para assistir a um jogo importante ao lado do namorado e em vez de diversão ter vários problemas. A publicitária Andressa Barbosa, 27, torcedora do Atlético que foi maltratada por um cruzeirense por tentar assistir ao clássico ao lado do namorado na torcida do Cruzeiro, contou a O TEMPO sua experiência no Mineirão no último domingo.

Aniversariante desta terça-feira, Andressa viu sua história repercutir em todo o Brasil, após matéria veiculada pela reportagem ser comentada no blog “Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás”, do jornalista Xico Sá. O cronista escreve para a "Folha de S.Paulo".

Vestida com a camisa do seu clube do coração, a atleticana afirma que sofreu muita pressão dos seguranças privados do Mineirão para que ela trocasse de lado, saísse do espaço cruzeirense e curtisse o jogo ao lado de torcedores comuns à sua preferência clubística.

“Depois do tumulto que o outro torcedor causou, vários seguranças ficaram rodeando o lugar onde eu estava e conversaram comigo, fizeram pressão para eu mudar de lugar, para sair da torcida do Cruzeiro e passar para o lado do Atlético. Pediram para vestir camisa do Cruzeiro se quisesse ficar onde estava. Isso achei absurdo. Ou era isso ou ir embora para casa, o que me deixou muito magoada, chorei bastante. Por livre e espontânea pressão eu resolvi mudar para o lado atleticano”, contou a atleticana em entrevista exclusiva a O TEMPO.

“Foi uma infelicidade nossa, acabamos confundindo na hora de comprar o ingresso. Compramos naquele determinado setor do Mineirão (roxo superior) achando que era uma área mista, que poderíamos ficar lá. A gente foi super tranquilo, achando que lá era onde deveríamos ficar. Mas, na arquibancada teve aquele bobalhão que fez o que fez comigo, me xingou, tratou mal. Nunca briguei por futebol e lido bem com rivalidade. Tanto é que namoro um cruzeirense”, disse.

Mudando de lugar

Antes mesmo do começo do jogo, vencido por 3 a 2 pelo Atlético, Andressa foi conduzida por um segurança, passando pela tribuna de imprensa, até a arquibancada destinada aos torcedores do Atlético. “Assisti o jogo sozinha, com um tanto de segurança perto querendo saber se eu estava bem. Fiquei longe do Daniel, meu namorado, e só o via de longe. Nos deixaram onde um tinha visão do outro, e na hora que acabou o jogo o segurança que me tirou da torcida encontrou comigo, pediu para eu trocar de blusa e me passou de novo para a torcida do Cruzeiro. Aí foi tranquilo e fui embora”, completou a atleticana.

Daniel Milla, 29, namorado de Andressa, contou como fizeram para deixar o Mineirão. “Na hora de ir embora, a Andressa trocou a blusa, ficou com uma camisa neutra [que ela tinha levado] e conseguimos deixar o estádio sem problemas. Nunca mais faço isso, pelo menos com camisa de time, não. Agora, para acompanhar um clássico junto da minha namorada, só se for sem o uniforme dos times”, ressaltou o especialista em tecnologia da informação.

O dia seguinte ao clássico serviu como reflexão para Andressa, que sequer guardará mágoas de um “chato” que a atrapalhou de ver o maior jogo do futebol mineiro ao lado do namorado.

“Quando me chamaram e pediram para me retirar de onde eu estava, me magoei, chorei. Vi eles pedindo ao meu namorado para virar a camisa e passar para o lado atleticano. Podia ter sido tão tranquilo se o rapaz que nos incomodou não tivesse feito nada do que fez. Não tenho nada contra ele e até aceitaria desculpas se um dia o encontrasse de novo. Acredito que o sujeito deveria estar bêbado, de cabeça quente e com os ânimos aflorados. Não guardo rancor, metade da minha família é composta por cruzeirenses e sempre convivemos muito bem”, disse.

Presente alvinegro

Como fez 27 anos na última terça, um dia depois da vitória alvinegra sobre o maior rival, a torcedora afirma serviu de presente.

O combinado era não me manifestar caso o Galo fizesse gol. Só fui comemorar quando me levaram para a área do Galo. Lá eu me expressei. Assisti todo o jogo com os atleticanos e a vitória do Galo foi meu presente de aniversário. Extravasei toda raiva que passei torcendo para o meu time. Agradeço aos jogadores atleticanos por minimizarem a minha dor”

Sobre os relatos de Andressa Barbosa em relação ao trabalho dos seguranças privados do Mineirão, a Minas Arena, administradora do estádio, ficou de se pronunciar à reportagem.

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