Candidatos ao governo voltam a mentir em debate da RedeTV!/iG

Pimenta da Veiga, Tarcísio Delgado e Fidélis usaram dados incorretos ou distorcidos; Fernando Pimentel não compareceu

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa e Lucas Ragazzi |

Todos os candidatos usaram dados distorcidos; Fernando Pimentel não compareceu
MOISES SILVA / O TEMPO
Todos os candidatos usaram dados distorcidos; Fernando Pimentel não compareceu

Assim como aconteceu no debate anterior, realizado na Band, os candidatos ao governo de Minas distorceram dados e usaram números incorretos no encontro realizado no último domingo, na "Rede TV", em parceria com o "Portal iG" e a participação do jornal O TEMPO. O evento contou com a presença de Pimenta da Veiga (PSDB), Tarcísio Delgado (PSB) e Fidélis Alcântara (PSOL). O petista Fernando Pimentel, que havia confirmado presença, desistiu alegando uma faringite. Os erros se deram justamente nos momentos de embate direto entre os candidatos, sobretudo nos temas educação, segurança e saúde.

Educação

Pimenta da Veiga e Fidélis Alcântara discutiam a situação da educação em Minas Gerais e divergiram ao falar sobre o esgotamento sanitário nas unidades geridas pela rede pública estadual. O candidato do PSOL afirmou que eram 660 unidades sem esgoto na rede pública, quando, na verdade, de acordo com levantamento da Fundação Lemann, com dados do Censo Escolar do Inep 2013, são 610 escolas sem o serviço. Pimenta da Veiga errou ainda mais de longe, ao dizer que conhecia apenas dez escolas na situação, afirmando ainda que em todas há obras já sendo realizadas.

A educação ainda gerou embate entre Pimenta e Tarcísio Delgado. Após o candidato do PSB afirmar que a educação básica é de responsabilidade dos municípios, Pimenta da Veiga disse que, na verdade, 40% está por conta do Estado, enquanto 60% é gerida pelos municípios. De acordo com os dados do Censo Escolar, no entanto, em Minas há 3.669 escolas de educação básica no âmbito estadual, ou apenas 28,6% do total. Outras 9.104 são municipais (70,95%) e 58 oferecem ensino básico no âmbito federal (0,45%). Tarcísio ainda disse que, em Juiz de Fora, há 125 escolas municipais com ensino básico, e apenas 11 estaduais. São 128 municipais, 48 estaduais e três federais, de acordo com o Censo.

Ao tratar da qualidade do ensino, Tarcísio disse que ao Estado cabe o ensino médio, "que é o pior que existe no Brasil". Nem de longe Minas é o pior. Na verdade, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do governo federal, o Estado tem a terceira melhor educação em ensino médio do Brasil, considerando a rede pública estadual. Assim, Minas se iguala a Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina, estando atrás apenas de Goiás e Rio Grande do Sul.

Criminalidade

No debate sobre segurança, o socialista e o tucano também apresentaram dados conflitantes. Tarcísio disse que a taxa de crimes violentos saltou de 250 para 430 por mil habitantes entre 2010 e 2013, um aumento de 72%. De fato a taxa subiu 72%, passando de 250 para 430. No entanto, o índice se dá por 100 mil habitantes e não por mil habitantes como disse o candidato. Ele ainda voltou a insistir, como no outro debate, que Minas é o Estado mais violento do país. Na verdade, segundo o relatório “Mapa da Violência”, em sua prévia de 2014, apesar de ter registrado um aumento acima da média no número de homicídios nos últimos anos, Minas ocupa só a 22ª posição no ranking nacional. O Estado registrou, em 2012, 22,8 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes. Alagoas, que lidera a lista, registrou 64,6, para se notar a diferença.

Pimenta da Veiga também errou sobre segurança. Primeiro, disse que Minas tem a segunda menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes no Sudeste. Depois, disse que era a menor da região, usando como fonte o 7º Anuário Brasileiro de Segurança. De fato, embora tenha crescido 7,4% entre 2011 e 2012, Minas tem a segunda menor taxa do Sudeste. É maior que a taxa de São Paulo, o que torna errada a segunda declaração.

Lei 100

Nas discussões sobre a Lei 100, que efetivou servidores sem concurso e foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Pimenta disse que quatro Estados fizeram legislações parecidas, e só a oposição de Minas conseguiu derrubar o texto na Justiça. Na verdade, em fevereiro de 2014, o STF derrubou a efetivação de 11 mil contratados no Acre, dando prazo de um ano para que deixassem os cargos.

Doações de campanha

O candidato do PSDB ainda disse que Fernando Pimentel é que "está com as burras cheias, com muita doação", em referência às doações de campanha, dizendo que ele conseguiu menos. Não é verdade. De acordo com a última prestação de contas dos candidatos, Pimenta obteve o dobro de verbas que Pimentel. Até o início do mês, a campanha do tucano havia arrecadado R$ 12,3 milhões e a petista, R$ 5,3 milhões.

Saúde

Na intensa discussão sobre saúde com Fidélis e Tarcísio, os adversários disseram que nenhum dos hospitais regionais prometidos na última gestão foi entregue. Pimenta disse que foram três. Todos erraram. Há sim um hospital regional em funcionamento: o de Uberlândia.

Em relação aos outros dois citados pelo candidato do PSDB, ele se confundiu. A pergunta foi sobre hospitais regionais e a resposta dele fez referência a dois hospitais municipais que tiveram apoio do governo do Estado por meio do Programa de Fortalecimento e Melhoria da Qualidade dos Hospitais (Pro-Hosp/MG): Ibirité e Pirapora. Das 12 unidades regionais prometidas pelo governo do Estado apenas uma está funcionando. O de Uberaba está em fase final de construção, outros sete estão em obras e três estão na etapa de projetos, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde.