Manobra arriscada pode ter sido a causa do acidente em Fama

Especialista diz que decolagem de ré, como mostra o vídeo feito por moradores da cidade, não é recomendado pelas regras de segurança

iG Minas Gerais | BERNARDO MIRANDA |

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Uma manobra arriscada durante a decolagem pode ter sido a causa do acidente do helicóptero que, no último sábado (20), caiu na represa de Furnas, em Fama, no Sul de Minas, matando duas pessoas.

Um vídeo do momento da queda (assista acima), mostra que o piloto Bruno Abitbol de Andrade Nogueira, 34, único sobrevivente, decolou de ré, o que não é recomendado pelas regras de segurança. Outra hipótese é o piloto ter perdido a orientação de altitude por causa do espelhamento da água.

Na imagem do acidente, a aeronave decola de ré, e em seguida vira em direção ao lago, mas perde sustentação, não consegue reerguer e cai na água.

O professor de ciências aeronáuticas da Universidade Fumec, Rogério Botelho Barra, explica que uma das possibilidades de causa do acidente tenha sido um erro de cálculo nessa manobra. “O helicóptero sai de ré e quando vira de frente perde velocidade. Com uma velocidade menor a aeronave perde sustentação e ele não teve altitude suficiente para retomar a velocidade e reerguer e acaba caindo na água” explica o professor, que também é instrutor de pilotagem em helicópteros. Ele destaca porém que há outras possibilidades que possam ter provocado o acidentes, mas que só a investigação vai definir o que provocou a queda.

Barra detalha que a maneira segura de fazer a decolagem é sempre de frente. “O indicado é a aeronave sair um pouco do solo, cerca de dez metros. Parado no ar, o piloto deve direcionar o helicóptero contra o vento e então, de frente, acelerar para ganhar sustentação e continuar o voo”, explica.

Outros instrutores ouvidos pela reportagem destacam que o piloto pode também ter se desorientado com o reflexo do espelho d’água, e ficou sem noção da altitude. Um dos indícios seria que o piloto não tentou reduzir a velocidade ao se aproximar da represa.

“Isso pode ter ocorrido, não é recomendado que se voe muito próximo à água por causa dessa situação. Mas nesse caso não me parece ter sido essa a causa”, afirmou Rogério Botelho Barra.

A Polícia Civil e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) já iniciaram investigação das causas do acidente. Nos próximos dias o piloto deve prestar novo depoimento. Após fugir do local do acidente, Bruno se apresentou à polícia no domingo e disse que fez a manobra para evitar a colisão com um barco que estava próximo do local de decolagem.

Uso particular

O helicóptero que caiu no sábado era do modelo Robinson 44 e era registrado como de uso particular. Dessa forma, ele não poderia cobrar para fazer voos panorâmicos. No momento da queda, estavam na aeronave o piloto, o policial militar Marcos Antônio Alves, 44, e sua mulher Lívia Reis Carvalho, 27. Os dois passageiros morreram. Antes do helicóptero cair, ele havia voado duas vezes com outros dois policiais.

O piloto Bruno Nogueira, 24, disse à polícia que não cobrou pelo voo. Ele também não tem autorização para fazer voos comerciais. A polícia vai investigar se em algum momento o piloto ofereceu a voos panorâmicos em troca de dinheiro. 

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