‘Gourmetização’ sofistica de café a pão de queijo e bolos “Em alguns casos, é apenas marketing”

Especialistas ensinam que só o nome ‘gourmet’ não basta, tem que ser especial e diferenciado

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Cristian Soares Figueiredo busca os melhores ingredientes
JOAO GODINHO/ O TEMPO
Cristian Soares Figueiredo busca os melhores ingredientes

O pão de queijo não é mais o mesmo. O cafezinho também não. Nem o brigadeiro, o bolo, o sorvete ou o macarrão. Com ingredientes sofisticados, misturas criativas e toque contemporâneo, os produtos tradicionais estão ganhando uma nova roupagem sob um mesmo rótulo: gourmet. “Reuni uma série de receitas familiares para desenhar as nossas receitas. É um olhar moderno sobre essas heranças de família”, conta o empresário Mário Santiago, que gourmetizou o mais mineiro dos quitutes e, em janeiro deste ano, abriu A Pão de Queijaria, na Savassi.

A casa tem pães de queijo feitos com quatro tipos de queijo. A matéria-prima é comprada diretamente dos produtores. A unidade custa a partir de R$ 3,50, valor até três vezes maior que o do pão de queijo normal vendido em lanchonetes, mas inferior, por exemplo, aos R$ 5 cobrados por uma unidade no aeroporto de Confins. Há ainda versões com acompanhamentos, recheadas e o saquinho de congelados. Os preços vão até R$ 15.

Desde a inauguração, o faturamento da casa dobrou e o número de funcionários passou de oito para 11. “Já estamos desenhando uma expansão”, conta.

O que Santiago planeja já é realidade na Mr. Black, rede especializada em cafés gourmet e que inaugurou sua primeira unidade em 2006. Hoje, são 12 lojas em quatro Estados, e, até 2017, a previsão é ter 30 lojas no país e pelo menos uma nos Estados Unidos.

O proprietário da marca, Cristian Soares Figueiredo, diz que o mercado de cafeterias gourmet no Brasil está apenas engatinhando e, por isso, existe muito espaço para crescer. “O brasileiro está conhecendo uma forma diferente de tomar café. Fora do país isso já é muito comum”, afirma.

Para preparar as receitas, ele busca insumos de alta qualidade, grãos cuja produção é toda rastreada, e receitas mais elaboradas. “São os melhores ingredientes em receitas desenvolvidas por especialistas, além de muito cuidado ao fazer”, define.

Diferenciado. Para o crítico gastronômico Léo Noronha, criar receitas gourmet é um nicho de mercado que começou a ser preenchido na última década. Ele diz que o consumidor ficou mais exigente e busca opções diferenciadas para o paladar. Mas alerta que não basta agregar o adjetivo para se destacar. “Ser gourmet passa a ideia de que o produto é especial e diferenciado. Em alguns casos se justifica, em outros, é fajuto”, diz.

Minientrevista com Edson Puiati - Coordenador do curso de gastronomia da Una Qual a sua opinião sobre a gourmetização dos produtos? Não sou muito adepto a isso. Essa coisa de gourmet, em muitos casos, é mais marketing do que uma inovação realmente. Uma coisa é fazer uma releitura da receita, outra é ser gourmet. Vou fazer um omelete, ponho uns cogumelos e vira gourmet. Não é isso. O uso da palavra gourmet só como marketing acaba banalizando a palavra.

E o que é um produto gourmet? Um produto gourmet é aquele mais refinado, mais moderno, com padrão melhor, que tem ingredientes de qualidade, com garantia de origem. Ele é feito com uma técnica especial.

Tem que ter tudo isso?

Se a palavra gourmet for usada como sinônimo de produto diferenciado, o produto tem que preencher todos esses requisitos. Tem que ser inovador, diferenciado, de qualidade.

Como o consumidor sabe que está comprando um produto com essas características? Existe algum tipo de garantia? Não tem parâmetro reconhecido. Ninguém chancela isso, é a própria pessoa ou empresa que colocar o nome gourmet. O próprio consumidor é que seleciona o que tem qualidade ou não. (APP)

Consumidor

Mercado. Não existe uma certificação para um alimento gourmet. Cabe ao consumidor selecionar aqueles que cumprem a promessa de unir receitas inovadoras e ingredientes diferenciados.

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