Sem planejamento, execução de Viurbs fica prejudicada

Apenas 8,78% das intervenções estão em andamento; não há plano de atuação, diz especialista

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Projeto. Um dos objetivos do Viurbs foi apontar as deficiências viárias de BH, segundo a Secretaria Adjunta de Planejamento Urbano
LEO FONTES / O TEMPO
Projeto. Um dos objetivos do Viurbs foi apontar as deficiências viárias de BH, segundo a Secretaria Adjunta de Planejamento Urbano

O Programa de Estrutura Viária de Belo Horizonte (Viurbs), finalizado em 2008, é uma espécie de diretriz para intervenções na mobilidade em toda a cidade. Ele indica a necessidade de outras obras para melhorar o trânsito da capital, como os trechos que se transformaram no programa Corta Caminho. No entanto, segundo o site da prefeitura, apenas 13 das 148 intervenções previstas estão em andamento – 8,78%. Para o consultor em transporte e trânsito Osias Batista Neto, um dos entraves para que o instrumento fosse implantado como um todo foi a ausência de planejamento para efetivar as obras.

Segundo o especialista, foi pensada uma maneira de reorganizar a cidade que abordou propostas para trabalhar as ligações pelas regiões e necessidades de alterações viárias, mas não há de fato um plano de execução das intervenções. “Se você chegar à prefeitura querendo comprar um terreno que foi planejado para abrigar uma das intervenções do Viurbs, irão dizer que há esse plano, mas ninguém sabe de fato o que vai ser executado”, alerta.

O Viurbs foi realizado, segundo o secretário adjunto de Planejamento Urbano, Leonardo Castro, a partir de um legado técnico de engenharia acumulado desde a década de 70. Ele explica que o programa tinha como objetivo identificar locais com deficiência no sistema viário de Belo Horizonte.

O Viurbs, feito há oito anos, ainda é usado como suporte para a prefeitura, segundo a assessoria de imprensa da secretaria. Quando o Executivo decide investir em alguma região, o material do Viurbs é usado como ponto de partida, se aplicável, segundo a assessoria.

Polêmica. O especialista Osias Neto alerta para a necessidade de atualizar o estudo, já que é impossível implementar uma obra planejada há quase dez anos.

Questionada pela reportagem de O TEMPO sobre quantas e quais obras do Viurbs foram de fato executadas, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura não se posicionou até o fechamento desta edição. Assim como as obras do Corta Caminho, as intervenções do Viurbs não têm cronograma – os trabalhos ocorrem sob demanda e conforme a liberação de recursos, segundo a Secretaria Adjunta de Planejamento Urbano.

Exemplo

Via 665. Um das obras planejadas pelo Viurbs e que não tem previsão para ser implantada é a Via 665, que ligaria as regiões Centro-Sul e Oeste por um túnel que passaria por baixo da avenida Raja Gabaglia.

Percurso. A via começaria na avenida do Contorno e terminaria na avenida Barão Homem de Melo.

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