Para empresários, há consenso de que 2015 será difícil

Impostos em alta, e PIB e emprego em baixa são esperados

iG Minas Gerais | Helenice Laguardia |

“O ponto negativo é a falta de um plano de país, saber o que nós queremos ser” - Laércio Cosentino, da Totvs
Fotos David Martins/Ibef
“O ponto negativo é a falta de um plano de país, saber o que nós queremos ser” - Laércio Cosentino, da Totvs

Um cenário bem pessimista para 2015 foi traçado por empresários durante o Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), realizado em Belo Horizonte na última semana. O presidente da Cenibra – Celulose Nipo-Brasileira, Paulo Brant, disse que há um razoável consenso de que 2015 vai ser um ano muito difícil, bastante ruim em termos de indicadores de PIB e emprego. “Nós estamos no limite de um modelo de crescimento econômico, não há mais como prosseguir fazendo mais do mesmo.” Para Brant, o grande desafio do país é resgatar o investimento. “Não há como crescer investindo 17% (do PIB)”, disse.

O “executive chairman” da Localiza, Salim Mattar, disse que deverá haver um aumento de carga tributária no Brasil, porque o governo terá que fazer ajustes em 2015 e 2016. “Isso significa que nossas empresas vão ser mais oneradas, o consumidor vai ser mais onerado, e o Estado, de novo, se serve das empresas para resolver os seus problemas de má administração”, criticou.

O presidente da Totvs, Laércio Cosentino, disse que existe um grande populismo. “Você vê na TV que tudo se resume a saúde, educação e segurança. Não tem um debate, nada que diga o que realmente vai ser em 1º de janeiro. Nós não temos um plano de país, temos um plano de poder.”

O presidente da Dufry Brasil, Humberto Mota, disse que a política econômica tem que ser atacada no conjunto – inflação, incentivo a crescimento, juros caindo. “Neste ano, o país entrou em recessão técnica, que é um eufemismo. Recessão, técnica ou não, é recessão”.

O presidente da Fiemg,Olavo Machado Jr., afirmou que em 2015 o novo governo precisa ter coragem de ditar uma política industrial clara. “O Brasil precisa de um estadista. O que resolve problema de economia não é a própria economia, não é banco, é o estadista.”

De acordo com Machado, o que falta é um projeto de país. “Nós temos projetos de governo que mudam de quatro em quatro anos ou de oito em oito anos”. Com relação à indústria e aos impostos, o presidente da Fiemg disse que não houve nenhum momento de desabastecimento no país. “Não falta produto. O que nós estamos enxergando é que no futuro esse preço vai ser muito caro”, afirmou Machado.

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