‘O cidadão não tem condição de checar se é factível’

Márcia Miranda - Prof. do Departamento de Ciência Política da UFMG

iG Minas Gerais |

Os candidatos incluem em seus programas de governo propostas muito genéricas ou praticamente irrealizáveis. Eles não dão importância às políticas públicas? Dão, mas de forma muito genérica e pouco realista. O cidadão comum não tem condição de checar se aquela proposta para educação, saúde, segurança pública é factível. Principalmente em termos orçamentários. O que eles prometem exigiria orçamento que não temos nem não vamos ter nos próximos anos.

E por que esses programas não são mais claros para os eleitores?

Acho que também tem outro lado. Se os programas de governo ficassem muito técnicos, isso acabaria não interessando ao eleitor comum. No geral, as pessoas não têm elementos muito concretos para avaliar o que o candidato vai oferecer em termos de política pública. Tem uma visão geral de que um candidato é mais comprometido com políticas sociais ou com a economia, por exemplo.

E o que poderia ser mais bem apresentado ao eleitor? Algumas coisas poderiam aparecer mais. Como vão fazer para ampliar o salário mínimo, para melhorar saúde pública, para investir 10% do PIB na educação? Não está claro como isso vai ser implementado. Não precisariam entrar nas minúcias técnicas, mas deveriam dizer como pretendem financiar. Por isso os debates são importantes.

E como são definidos os programas? Os candidatos são assessorados por agências de marketing que fazem pesquisas sobre as demandas do cidadão. Mas apresentam propostas muito genéricas. Abusam de termos como “vamos melhorar”, “vamos ampliar”, não tem algo mais concreto.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave