Generalizar para evitar cobranças

iG Minas Gerais |

Zé Maria pretende reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 36
Gabriel Garcia Soares/estadão conteúdo - 18.9.2014
Zé Maria pretende reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 36

Uma leitura dos programas de governo dos candidatos à Presidência da República nos mostra o abuso de verbos como “ampliar”, “expandir” ou “melhorar”, que de concreto não oferecem nada aos eleitores. Para a professora do Departamento de Ciência Política da UFMG Márcia Miranda Soares, generalizar o programa não passa de uma estratégia dos candidatos.

“Se ele tivesse propostas muito concretas, poderia ser cobrado em função disso. Como elas são mais genéricas, podem se esquivar melhor”, afirma.

Outra justificativa apontada pela especialista em políticas públicas é a dificuldade de o eleitor comprovar ou fazer o balanço do que é viável ou não.

“O cidadão comum não tem condição de checar se aquela proposta é factível. E, por isso, os candidatos vão na mesma direção”, analisa Márcia.

Além de abusar de termos genéricos, os candidatos usam outros artifícios para “inflar” as proposições em seus programas de governo. Uma das estratégias é incluir propostas que, inclusive, já estão aprovadas em lei, como é o caso do investimento de 10% do PIB em educação, que tem que ser cumprido em 20 anos, de acordo com o Plano Nacional de Educação. (LP)

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