“Marina tem que reescrever”

Candidata é pressionada a mudar dois pontos em seu programa de governo para ter aliados

iG Minas Gerais |

Em Campinas. Marina se reuniu ontem com lideranças do PSB na cidade paulista e prometeu aumentar os investimentos em tecnologia
ALEX FAJARDO/FUTURA PRESS/estadão conteúdo
Em Campinas. Marina se reuniu ontem com lideranças do PSB na cidade paulista e prometeu aumentar os investimentos em tecnologia

Brasília. O setor do agronegócio só apoia Marina Silva (PSB) à Presidência se ela reescrever seu programa de governo. A opinião é do coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues. “Para que a candidata acabe com a desconfiança e dissipe dúvidas, terá que reescrever parte do seu programa antes do final da campanha eleitoral”.

Rodrigues, que foi ministro da Agricultura de 2003 a 2006 durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, deu entrevista ontem ao jornal “Folha de S. Paulo” e destacou dois aspectos que ele considera necessários para que Marina conquiste um apoio mais amplo do setor de agronegócio.

O primeiro ponto abordado por Rodrigues é o esclarecimento para os pecuaristas de que a meta de “desmatamento zero” se refira apenas ao desmatamento ilegal. Para Rodrigues, zerar o desmatamento é “um pouco utópico”. Rodrigues acredita que seja necessário “abrir algum cerrado” no Brasil para garantir o suprimento de alimentos no futuro.

O segundo ponto abordado por Rodrigues é o índice de produtividade de propriedades rurais (usado em casos de desapropriações), que para ele deve servir para premiar quem consegue bons resultados, e não para punir os que ficam para trás.

Rodrigues diz ter expressado essas condições nesta semana para Beto Albuquerque, candidato a vice-presidente na chapa com Marina Silva. “Ele concorda que o tema desmatamento deve ser trabalhado na linha da legalidade. Sobre o índice de produtividade, foi mais enfático: disse que houve uma má interpretação. Falou que o objetivo é dar prêmios aos mais produtivos, em vez de castigo aos menos. O índice de produtividade será um bônus, não um ônus ao produtor”.

Rodrigues enfatizou ainda que seria ótimo que Marina Silva verbalizasse isso em suas propostas, mas ainda seria insuficiente. “Ela tem que reescrever o programa”, afirmou.

Beto concorda. O candidato a vice-presidente na chapa de Marina, Beto Albuquerque (PSB), sinalizou ontem que poderá fazer alterações no plano de governo do partido para o agronegócio, para minimizar tensões com o setor. Na quarta-feira, Beto se encontrou Rodrigues para essa conversa.

“Vamos criar um programa para premiar a meritocracia sobre a produtividade. Quem não tiver produtividade será desapropriado pelo mercado, e não pelo governo”, afirmou Beto.

Propostas do ex-ministro da Agricultura

Fusão. Roberto Rodrigues defende fundir os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, da Pesca e do Meio Ambiente em apenas um: o Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca. O objetivo seria reduzir gastos e “harmonizar estratégias”.

Etanol. Como presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Rodrigues defende a retomada da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o combustível e empréstimos do BNDES para modernizar caldeiras.

Rixa antiga

Código Florestal. Sobre a antiga rixa entre ruralistas e ambientalistas, Rodrigues acredita que a aprovação do novo Código Florestal, em 2012, “arrefeceu os ânimos” ao estabelecer regras claras.

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