Dilma concorda com críticas de ONGs e da oposição a Venezuela e Síria

Candidata não detalhou quais seriam as posições com as quais concorda, afirmou, porém, que estar no governo exige "extremo cuidado"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Faltando dois dias para abertura do Mundial, presidente Dilma afirma que país está preparado
Igor Raskoff/Divulgação
Faltando dois dias para abertura do Mundial, presidente Dilma afirma que país está preparado

A presidente Dilma Rousseff disse compartilhar algumas posições críticas de ONGs ligadas a direitos humanos e "mesmo da nossa oposição" no que diz respeito à atuação dos governos da Venezuela e da Síria.

Dilma, que não detalhou quais seriam as posições com as quais concorda, afirmou, porém, que estar no governo exige "extremo cuidado". Disse que é seu dever privilegiar "relações de longo prazo", e não "sanções e condenações retóricas pela imprensa" que "somente afastam o interlocutor e pioram a situação" e podem servir a interesses outros que não a defesa dos direitos humanos.

"Compreendo as posições das entidades de direitos humanos, e mesmo de nossa oposição. Compartilho, pessoalmente, algumas delas", disse a petista.

A declaração faz parte de uma entrevista concedida pela presidente à revista especializada "Política Externa", publicada nesta sexta-feira (19) no site da publicação. Dilma respondia crítica de ONGs de direitos humanos de que o governo age "com frequência de maneira dúbia ou fraca em situações como as crises da Síria e da Venezuela".

Dilma defendeu a atuação do governo no caso da crise da Venezuela e disse que a ação do chanceler Luiz Alberto Figueiredo e da Unasul contribuíram para o início do diálogo entre governo e oposição.

O governo venezuelano de Nicolás Maduro enfrentou onda de protestos populares no primeiro semestre. Caracas recebeu críticas de organismos de direitos humanos por supostamente reprimir com excesso de força as manifestações e por usar o Judiciário para perseguir opositores políticos. Já a oposição diz que o "alinhamento ideológico" entre Brasília e Caracas faz o governo ser omisso na crise venezuelana. O governo venezuelano nega veementemente as acusações.

"Nossa atuação [no caso da Venezuela] dificilmente poderia ser qualificada como omissa: o ministro Figueiredo participou ativa e brilhantemente da mediação no âmbito da Unasul, integra a Comissão de Chanceleres que trata do caso e já viajou diversas vezes ao país vizinho", disse Dilma.

A revista questionou os três principais candidatos a presidente sobre temas de política externa. Já havia publicado as respostas de Aécio Neves (PSDB) e de Eduardo Campos, então candidato pelo PSB. 

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