Coragem para dizer a verdade

iG Minas Gerais |

O atacante Emerson Sheik, do Botafogo, está na mira do STJD por ter tido a coragem para dizer o que todo mundo sabe há décadas, mas pouca gente diz, ou vinha dizendo, inclusive na imprensa: a CBF é uma “vergonha”. Com muita estrela, o bom jogador nunca foi o que se pode chamar de exemplar, muito pelo contrário, mas ganhou inúmeros pontos ao escancarar o que a grande maioria de seus companheiros de profissão empurra para debaixo do tapete, por medo, desinformação ou puro comodismo.  Um cara de 36 anos, milionário, cheio de títulos e recordes importantes no futebol, ídolo de grandes torcidas, não tem mais o que perder, a não ser alguns jogos com a punição que deve tomar, nada que vá atrapalhar uma carreira vencedora, mas que já dava mostras de decadência, mesmo sendo um dos destaques do Botafogo. O clube deve ficar na mão e em situação bem mais complicada do que já está no Brasileiro. Ou seja, tem que rezar para não cair. Mas tudo na vida tem dois lados. O atleta já entrou para história, não tanto pelo conteúdo de sua reclamação, mas pela forma: direta, sem meias palavras e falando “dentro” de uma das câmeras de TV que transmitiam ao vivo Botafogo e Bahia, na quarta-feira, no Rio de Janeiro. Se Emerson tinha razão ao reclamar, isso fica em quarto plano diante do ineditismo e da importância do que ele fez, mas pode fazer muito mais. Na quinta-feira, tentou se explicar, dizendo que os jogadores “têm o direito de expressão”, assim como todo brasileiro, amparado pela Constituição. Se Emerson está disposto a prestar um serviço ainda maior ao nosso futebol, deveria chutar o balde de vez. Ao invés de buscar aliviar para não pegar um gancho muito pesado, poderia botar para quebrar e ameaçar ir à Justiça por ter cerceado o direito de exercer sua profissão caso seja punido por expressar o que pensa. É bom lembrar que ele também xingou o juiz e deu uma entrada violenta em um adversário, o que merece, sim, uma punição.  Se a CBF não se acha uma vergonha, que busque também seus direitos e processe o atleta, assim como aqueles que acham que a imprensa deve ter algum tipo de censura prévia. Quem se sentir ofendido, que corra atrás. Já há boas e ágeis leis para tanto. Agora, se não é vergonhoso atestar que um atleta tem condições de jogo para uma competição da própria CBF e, depois, o clube que o utilizou ser punido com o rebaixamento, eu não sei de mais nada. Pobre América! Mas não tão pobre assim! Claro que não é justo perder 21 pontos por usar um atleta que a CBF atestou estar apto, mas confiar na entidade que “comanda” o futebol nacional hoje em dia é muita ingenuidade. Será que os gestores do futebol no Coelho não têm um caderno para anotar quem jogou aqui ou ali e quem pode atuar ali ou aqui? Mais uma vez os clubes são vítimas da CBF, que não consegue ter um sistema para evitar esse tipo de caso, como aconteceu com a Portuguesa, que também teve sua parcela de culpa no episódio do Brasileirão de 2013. Enquanto os clubes não tiverem a coragem de Emerson e criarem uma liga que os livre de vez da CBF, vão continuar sendo vítimas dela, como das arbitragens horrorosas que estão sob o comando da retrógrada, ineficaz, obsoleta e irritante entidade mínima do nosso futebol. Caso a punição ao América não seja abrandada para seis pontos, como muitos acreditam, restaria ao clube entrar na Justiça comum contra a CBF, o que não vai acontecer por motivos óbvios, como bem sabe o próprio América, que luta com dificuldade para se manter em um patamar que não deixe morrer sua grande e respeitável tradição. Entram férias, saem férias, a CBF continua um prato cheio para colunistas comprometidos com seus leitores. Tamo de volta!

Dunga. Claro que a CBF não tem nada com o fato de o técnico da seleção ter tido poucas chances para estudar, como acontece com muitos brasileiros, infelizmente, mas poderia “sugerir” que ele fizesse umas aulinhas intensivas de português. Durante a convocação para os dois próximos amistosos do time, o comandante até que, surpreendentemente, ia bem com as palavras, mas emendou um “menas experiência”. Deu dó! 

Clássico. Quem diria que, na véspera de um Cruzeiro e Atlético, o espaço para esse jogo fosse tão pequeno na coluna? Não se trata de desprezo, mas é a constatação de que nada vai mudar seja qual for o resultado, a não ser que haja um novo 6 a 1, seja para que lado for. O Galo vai continuar sonhando com a Libertadores para acordar com uma vaga na Sul-Americana, e a Raposa vai seguir contando os dias para comemorar o tetra.

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