Preparando os lombos

iG Minas Gerais |

Apesar de registrar crescimento nos últimos dias, o senador Aécio Neves permanece bem atrás da segunda colocada, Marina Silva. A “retomada da consciência” não está acontecendo de forma satisfatória, como imaginava o senador mineiro, e o resultado em Minas, impondo-lhe uma incômoda terceira posição em seu Estado de origem, como revela pesquisa <CF82>DataTempo</CF>, acaba por esvaziar a sua tese de que haverá uma mudança drástica no pensamento do eleitor na reta final. A candidata acreana teve queda, mas ainda dentro da margem de erro, confirmando a tese de estabilização e fidelização de seu eleitorado e tornando mais clara a sua ida para o segundo turno. Marina não cresceu, mas também, quando analisadas as estatísticas de segundo turno, continua na frente da petista Dilma Rousseff. O encurtamento entre Aécio e Dilma seria então fruto do voto válido. Muitos queriam votar em Marina para acabar tudo no primeiro turno, mas, como percebem que isso dificilmente acontecerá, voltam ao voto de origem, que, no caso, era de Aécio. Esse mesmo voto retornará para Marina e poderá dar a ela a vantagem de 6 ou 7 pontos percentuais em relação a Dilma, justamente a mesma que já esteve em seu melhor momento. Com a melhoria dos índices de avaliação de seu governo, a presidente Dilma Rousseff foi a que teve melhor variação nas pesquisas atuais em relação às da semana passada, porém os estudos mais recentes não conseguiram medir as reações às declarações de Paulo Roberto Costa, assumindo que houve mesmo esquema de propina na compra da refinaria de Pasadena e que só ele embolsou R$ 1,5 milhão. Mais um fato de corrupção, entre tantos outros já divulgados, não será capaz de mudar o cenário, mas pode fazer a presidente perder a variação positiva que a colocou com 4 a 7 pontos à frente da candidata do PSB. O ambiente é bem mais acolhedor para Marina, que está resistindo bem à pancadaria arquitetada por João Santana e bem assimilada por Dilma. Estatísticas mostram neste momento que Marina teria 50% de chances de se tornar presidente, enquanto as possibilidade de Dilma chegariam a 40%. Diante disso, os marineiros já podem se preparar para o segundo turno com muitos ataques. Serão ofensivas duras e uma disputa nunca vista antes em nosso país. PT versus PSB promete ser bem mais sangrento que um PT versus PSDB. Se Marina apanhou até aqui, numa estratégia petista de evitar um estouro da boiada e uma vitória da socialista ainda no primeiro turno, é bom que encontre um casco ainda mais duro para depois de 5 de outubro. Pelo favoritismo de Marina, é possível imaginar o que vem por aí. O sangue vai jorrar, e chorar não vai fazer a menor diferença. Os eleitores querem agora ver uma Marina de peito aberto e pronta para o revide. A estratégia da não violência de Gandhi não tem espaço no campo do marketing político. Saber trabalhar com o PSDB neste momento pode ser a chave do sucesso da candidata socialista. Aécio, ao que tudo indica, não mergulhará na campanha de Marina, e talvez não seja bom para ela que isso aconteça, mas os eleitores do tucano precisam ter a confiança de que serão minimamente representados. E, neste caso, a melhor representação é também o ataque. Para cada ofensiva petista, um torpedo de Marina. Se quiser ganhar as eleições, terá que responder à altura. A briga é com o PT, e o PT briga bem. Talvez Marina se lembre do tempo em que esteve lá. Se não reagir, cai. Se cair, não se levanta mais. Pelo lado petista, imagina-se que o lado sensível da ex-ministra do Meio Ambiente de Lula não suporte a pancadaria. A disputa com ofensas e golpes abaixo da cintura também é a única alternativa de manter mais quatro anos de poder. O vale-tudo está pronto para começar.

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