Uma artista fora do normal

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Maria Alcina celebra quatro décadas de trajetória com show em que canta inéditas
JARDIEL CARVALHO/DIVULGAÇÃO
Maria Alcina celebra quatro décadas de trajetória com show em que canta inéditas

O “alô” de Maria Alcina ao atender o telefone é inconfundível. A voz que eternizou a música “Fio Maravilha”, de Jorge Ben Jor, no Festival Internacional da Canção de 1972 continua a mesma, grave e cheia de personalidade. Ao longo da conversa, entre uma gargalhada e outra, a imagem que se tem daquela cantora que distribui energia e bota pra quebrar no palco só vai se confirmando. Alcina é Alcina, com ou sem maquiagem, com ou sem penduricalhos na cabeça. Não precisa de nada, sua voz entrega. E a gente sabe que um artista é tão marcante quando outras pessoas conseguem descrevê-lo, da mesmíssima forma. O cantor e compositor Zeca Baleiro é uma dessas pessoas. A pedido de Thiago Marques Luiz, produtor da cantora, foi lá e incorporou a dona. “Eu sempre fui mesmo da pá virada, safada, fada, fadada a ser o que sou. Eu sou Alcina, uma sapeca, uma moleca, uma menina. Eu sou Alcina, a alegria é meu lugar, é minha sina”. A própria concordou, adorou e vai mostrar esse jeito de ser ao público belo-horizontino na sexta-feira (26) em show de lançamento do seu disco “De Normal Bastam os Outros”, que comemora seus 40 anos de carreira. “Quatro décadas é bastante coisa! Eu estou muito feliz por ter conseguido chegar até aqui. É uma conquista que foi no dia a dia, pegando o touro à unha, dá muita felicidade! Gravar ‘De Normal Bastam os Outros’ foi uma ideia de não deixar isso passar batido. Afinal, 40 anos não são 40 dias”, exalta a mineira de Cataguazes, toda orgulhosa por ter recebido inéditas de compositores que não escondem a admiração que têm pela sua trajetória e jeito de ser. “Eu Sou Alcina”, de Baleiro, sintetiza a ideia do disco, mas o nome do CD veio mesmo da música que Arnaldo Antunes fez pra ela. “O título ‘De Normal Bastam os Outros’ é muito bom! Não tivemos dúvida, todos os elementos da música dialogam com a gente”, comenta a cantora que, para os âmbitos mais discretos da sociedade, não é lá muito normal mesmo. Deixa isso para os outros, ela quer mais é se divertir e no show de BH, além das canções do último disco, vai reviver sucessos que marcaram sua trajetória.

Juventude

Aos 65 anos, Alcina comanda uma banda jovem. No entanto, embora possa parecer, seu interesse não é bem a idade e, sim, a novidade e a personalidade. “A questão do encontro com compositores novos não se dá pela idade. Nesse meu novo CD, já começa pelo título, ele tem uma ligação comigo. É uma questão de identidade artística. Quando Zeca Baleiro faz ‘Alcina’, é a maneira como ele me vê. Quando Péricles Cavalcanti faz a música ‘Dionísio, Deus do Vinho e do Prazer’, ele descreve meu lado dionisíaco. Essa relação com o compositor, com o músico, não tem a ver com tempo, é diferente de um calendário, isso é bobagem, isso não existe em arte”. “De Normal...” conta ainda com “Cocadinha de Sal”, de Karina Buhr, e “Concurso de Bicho”, da dupla Anastácia e Liane. Mas o encontro, senão o mais legal, o mais esperado do disco, é a versão de “Bigorrilho”, de Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil, cantada em duo com Ney Matogrosso e que acabou virando videoclipe. “Esse encontro sempre foi desejado pelo público brasileiro, que sempre quis nos ver juntos. Tudo que rolou foi proposta dele. Eu estava mais cheia de dedos. Ele já chegou brincando e já fomos cantando. Ney estava mais à vontade e eu entrei na dele. Tem horas que tem até gargalhada na gravação. Foi espontâneo”, diz Alcina, revelando: “Eu arrepio quando ouço. Foi uma sintonia muito verdadeira”. Talvez isso se deva à “maneira alcina” de trabalhar. Como ela mesma diz, o bom mesmo é ficar solta para entrar na jogada. “Eu sou assim, sou uma artista assim, é minha natureza, não tem explicação. Por isso encontro as pessoas. Eu me realimento”.

De Normal Bastam os Outros Com Maria Alcina e banda Teatro Bradesco (r. da Bahia, 2244 – Lourdes). Dia 26 (sexta-feira) às 21h. R$ 80 (inteira)

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