Produtor prende a respiração

Corte na irrigação ameaça tanto produção quanto a qualidade de 1,3 milhão de toneladas de frutas por ano

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Relevância. Metade da banana produzida em Minas Gerais vem do Projeto Jaíba, na região Norte
Lincon Zarbietti / O Tempo
Relevância. Metade da banana produzida em Minas Gerais vem do Projeto Jaíba, na região Norte

Jaíba e Matias Cardoso. Por ano, o Projeto Jaíba produz 1,3 milhão de toneladas de frutas. Metade da banana de Minas Gerais vem de lá. É isso tudo que a seca está ameaçando. Sem a água da irrigação, tanto a produtividade quando a qualidade estarão comprometidas. Por enquanto, o racionamento ainda não chegou, mas a apreensão já é presença constante entre os produtores.  

Há pelo menos três meses, o sinal de alerta está ligado. Em junho deste ano, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) emitiu uma resolução restringindo qualquer expansão de áreas plantadas. Por exemplo, a Fazenda Tapuio, que tem 420 ha de área plantada e produz 14 mil toneladas de banana por ano, aguarda a licença para ampliar em mais 200 ha. “Desde abril começamos a ser avisados da gravidade da situação, depois veio a orientação de não expandir. Portanto, mesmo com a licença liberada, não expandiríamos agora”, afirma o gerente administrativo da Tapuio, Werik dos Santos Rodrigues.

O temor existe, mas a esperança ainda é maior. Por isso, nenhuma atitude foi tomada. Entretanto, se for preciso, já há plano B em vista. “Estamos otimistas e são Pedro vai nos ajudar. Se for preciso, vamos furar poços artesianos, pois o racionamento gera perda na qualidade da fruta, e esse é o nosso foco”, destaca Rodrigues.

Se o poço é uma alternativa para os grandes produtores, para os pequenos as coisas são diferentes. “Se esse racionamento de metade da água realmente acontecer no Jaíba, minha produção também vai cair 50%”, estima Antônio Geraldo Rabelo, que tem 45 ha com banana e limão.

Para ele, o poço, que demanda investimentos da ordem de R$ 20 mil só na perfuração, não é sequer considerado como solução. “Perfurar já é muito arriscado, podemos furar e não achar água. Então, vamos é torcer pra que tudo volte à normalidade”, afirma Rabelo.

Ele está há 30 anos na região e nunca presenciou nada parecido. “A gente nunca pensou que isso fosse acontecer com o São Francisco. Medo de não chover eu tenho, mas tenho fé de que tudo voltará à normalidade”, afirma o pequeno produtor.

Com sede em Matias Cardoso, a 60 km de Jaíba, a Associação dos Produtores de Limão do Jaíba (Aslim) conta hoje com 15 produtores, que geram 300 empregos e produzem 400 toneladas por mês. Um terço é exportado. Segundo o diretor da Aslim Cláudio Dykstra, se houver mesmo algum racionamento para a irrigação, a coisa vai ser drástica.

“Todas as culturas vão sentir. Se eu tenho mamão, por exemplo, tenho que irrigar todo dia. Não adianta irrigar dia sim e dia não. Não podemos falar de quanto serão as perdas porque é algo incalculável, uma vez que não aconteceu ainda”, afirma Dykstra.

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