PT pede doação a empresários

Executivos de até 3.000 grandes empresas do país receberam carta assinada por coordenador

iG Minas Gerais | Helenice Laguardia |

Entrevista. Candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) declarou ontem que tomou “todas as medidas” para impedir a corrupção
Ichiro Guerra/ Dilma 13
Entrevista. Candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) declarou ontem que tomou “todas as medidas” para impedir a corrupção

Os grandes empresários brasileiros receberam, recentemente, uma carta com a assinatura do coordenador geral da campanha de Dilma Rousseff (PT), Rui Falcão, pedindo doações para a reeleição da presidente. A revelação aconteceu durante o Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), realizado nesta quinta, num hotel em Belo Horizonte, pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

Durante a palestra “A economia brasileira, cenários e perspectivas na visão dos empresários”, o executive chairman e fundador do Grupo Localiza, Salim Mattar, disse que o empresariado recebeu uma carta da campanha do PT pedindo contribuições, mas não conseguiram dinheiro algum. “Passaram aquela carta horrível para o empresariado”, disse Mattar em meio a uma fala de 20 minutos. Mattar explica que não recebeu a carta, e que preferiria não comentar o conteúdo de um documento que não chegou para ele. “Mas posso conseguir a carta e te mandar. Ela por si só é esclarecedora”, disse o empresário. Até o fechamento da edição, O TEMPO não havia tido acesso ao conteúdo. Outros empresários, que pediram para os nomes não serem divulgados confirmaram, que receberam a carta com o pedido de doação para a campanha de Dilma. Um deles contou que a carta com a assinatura do coordenador Rui Falcão foi enviada para cerca de 2.000 ou 3.000 das maiores empresas do país. “Não é ilegal, mas não é ético”, disse um deles. Outro empresário contou que a carta pede contribuição financeira para a campanha de Dilma, mas não fala em valores. “A maioria dos empresários está achando essa carta o ‘ó do borogodó’, um absurdo”, criticou outro executivo. “Aonde esses caras chegaram?”, comentou um executivo. Ele disse que essa tem sido a pergunta geral do setor empresarial a respeito do documento. Eles contaram que não receberam cartas com pedidos de contribuições de outros candidatos. “Os empresários nunca tinham passado por uma situação dessas antes”, reclamaram. Outro presidente de empresa contou que o conteúdo da carta passa uma sensação intimidadora à classe. Caso o PT seja reeleito, Mattar disse que não se trata de um pessimismo para os próximos quatro anos, mas de um pouco de realismo. “Eles falam: o povo nos quer, a elite não nos quer. Se o Lula é capaz de ligar para pedir a demissão de uma funcionária do Santander, imagina esse governo de novo, eleito nas urnas.” Iniciativa é legal. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais informou que a legislação eleitoral “não proíbe pedido verbal ou por carta de contribuição de campanha, e que não há problema”. Por meio de nota, o comitê de campanha de Dilma, em Brasília, disse que “todas as doações feitas ao comitê de campanha da candidata Dilma Rousseff têm cumprido rigorosamente o que determina a legislação eleitoral, sendo tratadas com absoluta transparência e declaradas ao TSE”.

Imprensa Crítica. Para o executive chairman da Localiza, Salim Mattar, o “pessoal do PT não é ético”. “Nunca se viu tanta corrupção no Brasil”, disse. Para o empresário, o próximo round será tentar calar a imprensa. 

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