Mineiros se casam cada vez mais

Estado fugiu à realidade nacional e teve alta de 3% nos matrimônios; no país, queda foi de 1,2%

iG Minas Gerais | Luciene Câmara / Johnatan Castro |

Tradição. Casada desde maio, Larissa conta que sempre quis ter uma família, como os pais e avós
Arquivo de família
Tradição. Casada desde maio, Larissa conta que sempre quis ter uma família, como os pais e avós

“Sempre quis casar e ter filhos, como meus pais e avós”, diz a servidora pública Larissa Ribeiro Salles Moura, 28. O sonho dela, realizado em 3 de maio, parece ser o mesmo de milhares de mineiros que sobem ao altar ano após ano. Enquanto no país o número de pessoas em matrimônio segue em ligeira queda, em Minas a situação é inversa. De 2012 para 2013, houve um aumento de 3% no índice de casados no Estado – de 6,8 milhões para 7 milhões. Na capital e região metropolitana, a tradição se mantém ainda mais forte, com um aumento de 17% no mesmo período.  

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, o número de casados no Brasil passou de 61,1 milhões em 2012 para 60,3 milhões em 2013 – foram entrevistadas pessoas com 15 anos ou mais. A queda em nível nacional se mantém desde 2011, quando 39,9% da população era casada; em 2013 eram 38,6%.

Em compensação, o número de solteiros (aqueles com união estável ou que se casaram só no religioso) e divorciados no Brasil segue em alta. Os solteiros são a maioria, 49,2% da população (77 milhões). No ano anterior, 48,2% dos brasileiros estavam nessa categoria (74,3 milhões). Já os divorciados, desquitados ou separados judicialmente somavam 9,2 milhões em 2012 (6%) e 9,5 milhões em 2013 (6,1%).

“Percebo que as pessoas estão se casando mais tarde, mas não vejo uma diminuição do casamento ou da busca por alguém. A população que tem acesso à universidade está querendo se consolidar economicamente e profissionalmente antes de se casar”, analisa o psicólogo e mestre em cultura e sociedade Douglas Amorim.

O especialista explica que as regiões Sul e Sudeste são mais conservadoras. “São locais com muita influência religiosa”. Em comparação com as demais regiões do Brasil, a Sudeste é a que tem maior percentual (41,9%) de pessoas casadas. A Sul vem em segundo lugar, com 41,6%.

Larissa conta que namorou quatro anos antes de se casar e que agora já planeja ter filhos. “Quase todos os meus primos já estão casados e com filhos. Minha família foi uma grande referência”, contou.

Modalidades. Ela optou pelo casamento civil e religioso, como 41,9% da população (em 2012, foram 42,7%). Já o número de uniões consensuais (sem casamento civil e/ou religioso) passou de 35,4% para 35,8%.

Subiu também o número de pessoas que optam só pelo casamento civil (de 18,7% para 19,2% da população), e caiu o de pessoas que preferem apenas subir ao altar da igreja (de 3,3% para 3,1%).

População

Idosos. Os idosos (60 anos ou mais) eram 13% da população do país em 2013 (201,4 milhões) – um aumento de 0,4%. A região Sul tem o maior percentual (14,4%), e a Norte, o menor (8,8%).

Estado na lanterna em acesso à rede de esgoto Minas Gerais melhorou o acesso à rede coletora de esgoto, mas não acompanhou o crescimento dos demais Estados. De acordo com a pesquisa Pnad 2013, o Estado é o último no ranking dos que possuem mais domicílios com rede de esgoto, com 78,2% atendidos por esse serviço. O Estado que mais oferece saneamento básico a seus habitantes é São Paulo (92,6%), seguido pelo Rio de Janeiro (80,4%) e pelo Espírito Santo (79,4%). Apesar disso, Minas teve um aumento em seu acesso à rede coletora de esgoto, de 2012 para 2013, de 77,3% para 78,2% dos domicílios. Ainda assim, os mineiros estão bem à frente da média nacional, que aponta que 59% das residências brasileiras têm acesso ao item. Já o acesso dos mineiros à energia elétrica ficou estável, chegando a praticamente todas as casas do Estado: 99,8%.

Menos geladeiras Entre os Estados da região Sudeste, Minas Gerais é o que possui o menor índice de domicílios com geladeiras: 98,1% das residências têm o eletrodoméstico. São Paulo é o Estado com o maior percentual, com 99,6%, seguido pelo Rio de Janeiro (99,4%) e pelo Espírito Santo (99,1%). Somente 54,1% dos domicílios de Minas possuem máquina de lavar roupas, enquanto em São Paulo esse índice chega a 82,5% e, no Rio de Janeiro, a 74,9%. Entre os domicílios de Minas, 97,6% possuíam televisão em 2013, e 82% das residências tinham aparelho de rádio.

Mulheres chefes de família O número de mulheres responsáveis pelo sustento de suas famílias subiu 1,9% entre os anos de 2012 e 2013, conforme apontou a Pnad divulgada ontem. Enquanto em 2012 eram 2,3 milhões de mulheres nessa condição no país, no ano seguinte esse índice subiu para 2,6 milhões, chegando a 36,2% do total de entrevistadas. Entre os outros Estados da região Sudeste, o Rio de Janeiro é o que possui o maior quantidade de mulheres como referência de famílias (44,4%), seguido pelo Espírito Santo (38,5%) e por São Paulo (38,1%). A média nacional de mulheres chefiando famílias é de 39,1%.

Só 8% se declaram de cor preta Apenas 8,1% da população residente no Brasil se declara de cor preta (16,3 milhões), segundo a pesquisa. A maior parte – 46,1% (93 milhões) – afirmou ser de cor branca. O grupo de pessoas de cor parda representou 45%. De 2012 para 2013, a distribuição da população residente que se declarou branca caiu 0,2 ponto percentual, e a população que afirmou ser de cor preta aumentou na mesma proporção. Na região Sul, a maioria da população (77,1%) declarou ser de cor branca, enquanto nas regiões Norte e Nordeste a maioria se declarou parda – 68,1% e 62,3%, respectivamente.

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