A escuridão do mal humano em plena luz do dia

Vencedor do Oscar de roteiro original, lo nga dirigido por Roman Polanski é o clássico da semana no Cinemark

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

A bela luz crepuscular marca a transição para a escuridão do terceiro ato
Paramount
A bela luz crepuscular marca a transição para a escuridão do terceiro ato

Até hoje, nove em cada dez cursos ou livros sobre roteiro usam “Chinatown” como ferramenta de ensino. E não é simplesmente pelo status clássico que o filme adquiriu, ou pelas frases antológicas escritas pelo roteirista Robert Towne – como “esqueça, Jake. É Chinatown”. E sim porque talvez nenhuma outra obra no cinema conseguiu associar com tamanha perfeição uma história tão calcada numa trama complexa, à moda do gênero noir, com personagens tão bem desenvolvidos e profundos, típicos da tragédia grega que marca o longa.

Mas creditar exclusivamente o roteiro, vencedor do Oscar, pela qualidade do filme – exibido amanhã e domingo dentro do projeto Clássicos Cinemark – seria uma injustiça. Último filme dirigido por Roman Polanski nos EUA, em 1974, “Chinatown” não é simplesmente uma homenagem ao cinema noir. É uma elevação das possibilidades do gênero à sua máxima potência, com a ideia do mal e da ambiguidade que habita o ser humano usada sem restrições e como catarse pelo diretor, que havia acabado de perder a esposa Sharon Tate.

No mundo de Polanski, o noir não é um gênero preso na noite. O cineasta abusa da luz dura da desértica Los Angeles porque, para ele, o mal não se restringe à noite – ele está ao nosso redor o tempo todo, escondido sob as faces mais angelicais.

O filme acompanha o detetive Jake Gittes (Jack Nicholson). Após ser contratado para investigar um adultério, ele acaba conhecendo a misteriosa Evelyn Mulwray (Faye Dunaway) e trazendo à tona um escândalo da empresa de água de Los Angeles envolvendo o pai dela, Noah Cross (John Huston, literalmente monstruoso).

As filmagens de “Chinatown” não foram fáceis. Deprimido pela morte de Tate, Polanski se desentendeu muito com Nicholson, enquanto o comportamento de diva de Dunaway infernizava a equipe. Nada disso transparece na tela. Pelo contrário, só infunde o longa com a dor, o caos e o amargor pelo qual ele ficou conhecido.

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