Laudo não aponta quanto de aço faltou em viaduto

Cowan não enviou dados para que peritos dimensionassem a falha em bloco

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Avanço. Limpeza da Pedro I segue em ritmo acelerado para a liberação da avenida no fim de semana
Uarlen Valério
Avanço. Limpeza da Pedro I segue em ritmo acelerado para a liberação da avenida no fim de semana

O laudo do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil não apontou a quantidade de aço que teria faltado no bloco de sustentação do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, na região de Venda Nova. De acordo com informações obtidas por O TEMPO, não foi possível dimensionar uma porcentagem porque o projetista responsável pelos cálculos e a Consol não passaram para a polícia parâmetros utilizados para fazer algumas contas da estrutura, que desabou no dia 3 de julho, matando duas pessoas e ferindo 23.

Segundo a fonte ouvida pela reportagem, que pediu anonimato, os peritos não tiveram como saber a carga exata que o bloco foi calculado e o quanto ele resistiria, porque foram usados coeficientes de segurança. Após receber o documento, o delegado que investiga o caso, Hugo e Silva, está ouvindo os envolvidos para confrontar com as informações da perícia. O prazo dado pela Justiça para conclusão do laudo é até dezembro, mas a expectativa é que o inquérito seja concluído ainda neste mês. Especialistas ouvidos pela reportagem, porém, afirmam que a falta de ferragem foi de 80% a 85%. O perito contratado pela construtora Cowan apontou que foi calculado 90% menos aço que o necessário. Já a Consol admite o erro, mas alega que é da ordem de 15% a 20%. “A gente sempre assumiu que tinha um erro de transcrição. Mas o cálculo da Cowan é totalmente errado porque eles usam outra metodologia”, destacou Maurício de Lana, diretor da Consol. Independentemente da quantidade, o erro no bloco poderia ter sido identificado, e a reparação, de acordo com especialistas, não custaria mais de R$ 200 mil. Já a dificuldade anormal da retirada das escoras que sustentavam o viaduto é algo que foi percebido, conforme os peritos, mas não foi comunicado. Como o laudo aponta que prefeitura, Consol e Cowan foram culpados, as responsabilidades pelo prejuízo financeiro causado pela queda do viaduto seriam compartilhadas por todas as partes. Maurício de Lana afirma que está disposto a assumir com a parte do projeto de um possível novo viaduto. “A repartição teria que ser proporcional ao trabalho de cada um. A construtora cometeu diversos erros e foi imprudente. O acidente não tem uma causa única, é uma serie de fatores”, afirmou Lana.

Mesmos erros Repetição.Segundo o engenheiro Nelson Lima, o laudo aponta que o mesmo erro encontrado no pilar da alça sul, que desabou, também aparecia na alça norte, que foi implodida.

Obrigação Normas. Para o engenheiro Nelson Lima, especialista em acidentes estruturais, a Certificação de Qualidade de Projeto (CQP) em grandes obras, como prevê a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), é fundamental. “Ninguém pode abrir mão dessa verificação”, afirma. Laudo. Por causa disso, o Ministério Público de Minas aguarda a conclusão da perícia do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG) para avaliar ação contra a prefeitura que a obrigue a revisar todos os projetos.

Vizinhos reclamam que vidros ainda não foram substituídos Quase uma semana após a implosão da alça norte do viaduto Batalha dos Guararapes, que no último domingo danificou, segundo a Defesa Civil, 61 vidros em apartamentos dos condomínios Antares e Savana, vizinhos ao local, moradores reclamam que os danos não foram reparados. Presidente da Associação de Moradores da Avenida Pedro I, Ana Cristina Drumond disse que muitas janelas foram tampadas com material provisório. “A empresa que a Cowan, contratou é pequena e não dá conta do serviço”, disse. A Cowan informou, por assessoria, que custeia a execução dos consertos, vistoriados pela Defesa Civil, conforme acordo. Ninguém do órgão foi encontrado na noite desta quinta para falar sobre a reclamação. Agua. Vizinhos do local também reclamam que falta pressão na água das casas. A Copasa informou que as obras na avenida causaram danos em dois pontos da rede, já reparados, e pediu que as reclamações sejam feitas pelo telefone 115.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave