Cartas de um jovem Kerouac

Material inédito do escritor norte-americano foi encontrado pela filha de um amigo de infância do autor de “On the Road”

iG Minas Gerais |

Textos encontrados de Jack Kerouac narram suas paixões e desencantos
STANLEY TWARDOWICZ
Textos encontrados de Jack Kerouac narram suas paixões e desencantos

São Paulo. Cartas inéditas do escritor norte-americano Jack Kerouac (1922-1969), autor da obra-prima da geração beatnik “On the Road”, foram descobertas recentemente nos Estados Unidos. De acordo com o jornal “The Guardian”, ao todo 17 cartas, dois cartões postais e sete fragmentos de texto foram encontrados pela filha de um amigo de infância do escritor.

Nos textos, enviados por Kerouac ao amigo George J. Apostolos entre 1940 e 1941, ele se declara completamente apaixonado e fala de outras questões da juventude. Na época, Apostolos vivia em Lowell, Massachusetts, e Kerouac em Nova York, onde cursava uma escola preparatória e, posteriormente, a Universidade de Columbia. Segundo um representante da casa de leilões Skinner, que irá vender o material em novembro, os textos mostram o escritor no “processo de se tornar Kerouac”.

“É preciso lembrar que são correspondências particulares trocadas entre dois jovens no fim dos anos 1930 e começo de 1940. Kerouac faz menção a velhas aventuras colegiais, a saudades de sua casa em Lowell e descreve suas descobertas sociais, bebedeiras, festas e experiências com garotas”, diz o diretor de livros e manuscritos da Skinner, Devon Gray.

Em um dos textos, Kerouac narra sua paixão e desencanto pela irmã de uma amiga, com quem pretendia se casar. “Não há dúvidas de que nem eu nem você já vimos uma criatura tão primorosa como Jacqueline Sheresky”, escreve. “O pescoço dela tem aquela marca de sangue azul. Ele faz uma curva delicada, e como marfim, para um queijo amendoado perfeitamente moldado, e dali para lábios escarlates trementes, que cobrem uma fileira de dentes de mármore”.

O escritor continua a carta com seus planos para ganhar a atenção da garota. “O problema é que não tenho coragem para convidá-la ao baile de formatura... Se eu pudesse levar essa deusa ao Waldorf, eu viveria o suficiente por uma noite”.

Kerouac ainda conta para Apostolos que temia que outro rapaz, chamado Sokolow, já tivesse convidado Sheresky para a festa, e, depois, narra como a encontrou dançando com Sokolow no baile. “Que maldito sórdido, um esquisito sem esperança, hipócrita, idealista, inseguro e babaca eu sou”. Em cartas seguintes, ele fala de encontros com outra garota.

De acordo com a casa de leilões, a amizade entre Kerouac e Apostolos nunca foi mencionada por biógrafos, uma vez que os textos nunca estiveram disponíveis para pesquisadores e para o público. A casa espera arrecadar entre US$ 2 mil e US$ 5 mil (entre R$ 4.736 e R$ 11.841) por cada carta.

Segundo Devon Gray, a filha de Apostolos sabia que o pai tinha algumas cartas do escritor, mas achou que elas haviam sido queimadas, até encontrá-las entre as coisas do pai, após a morte do amigo de Kerouac.

Nascido em 12 de março de 1922, Jean-Louis Lebris de Kerouac, de origem franco-canadense, teve uma infância séria, devido aos problemas financeiros de sua família. Para ajudar nas finanças em casa, já em sua juventude, resolveu fazer parte da equipe de futebol americano do colégio para tentar uma bolsa de estudos na faculdade – posteriormente, ele conseguiu entrar na Universidade de Columbia.

Devido a um acidente que o impossibilitou de jogar, Kerouac começou a passar mais tempo frequentando a biblioteca da universidade, tendo assim seu primeiro contato com autores que influenciaram muito da sua obra, dentre eles Jack London.

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