Construtora é acusada de aplicar golpe em clientes

Obra prevista para ser concluída em abril de 2013 ainda nem começou

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Imbróglio. 
Na terça (16), a reportagem esteve no lote onde o residencial seria construído, mas encontrou no local uma área abandonada
FOTO: JOAO LEUS / OTEMPO
Imbróglio. Na terça (16), a reportagem esteve no lote onde o residencial seria construído, mas encontrou no local uma área abandonada

 

Uma empresa de construções com sede em Belo Horizonte é acusada de aplicar um golpe em clientes de um empreendimento que seria construído na rua Camilo Ana, 144, no bairro Brasileia. Conforme informações reveladas à reportagem de O Tempo Betim, as obras do residencial Inácio Moreira Jardim, que tinham previsão para ser concluídas em abril de 2013, nem sequer começaram.    Segundo uma das vítimas, que, por enquanto, prefere anonimato, o contrato de compra e venda de um imóvel no sétimo andar do edifício, avaliado em cerca de R$ 1 milhão, foi assinado com a BPF Incorporações Imobiliárias Ltda. – empresa ligada ao grupo Falgo Empreendimentos e Participações S/A – em novembro de 2011. Atualmente, a Falgo é responsável pelo planejamento e o desenvolvimento de shopping centers em diversos municípios do Estado, incluindo Betim.   “Na época, eu e o meu marido compramos o imóvel no nome da mãe dele. Me recordo de que demos uma entrada no valor de R$ 200 mil e que o contrato previa que o empreendimento seria entregue em abril de 2013, ou seja, dois anos após o acordo firmado entre ambas as partes”, disse a cliente.    Segundo ela, a situação teria se complicado ainda mais depois que a sua sogra faleceu, em março de 2013. “Pedimos a suspensão da compra, mas, como a construtora não se manifestou, nossa única opção foi acionar a Justiça. O que queremos é o ressarcimento do valor pago à BPF na época”, explica o advogado.   Outro cliente lesado com a situação, que também preferiu não ser identificado, conta ainda que tomou conhecimento, recentemente, de que o projeto teria sido vendido, em 2013, à construtora Escala, com sede em Contagem.    Em conversa com a reportagem, o gerente de negócios da empresa, Admilson Moura, assumiu ter feito um termo de acordo com a BPF que previa, “após alguns passos”, que a Escala se tornaria a responsável pelo residencial. No entanto, ainda segundo Moura, como diversas questões contratuais não foram resolvidas pela construtora de Belo Horizonte, a parceria foi desfeita.   “Tentamos, enquanto empreendedores, equacionar um bom empreendimento em Betim, porém, dadas as condições, nos sentimos fragilizados. Assim, optamos por notificar a BPF judicialmente. Chegamos a um acordo, e a anulação do contrato foi feita. Hoje, não existe nenhuma relação entre a BPF e a Escala”, garantiu.   Já a diretora da BPF, Bárbara Patrícia Valladares Lara de Almeida, alega que os clientes assinaram o contrato cientes de que o projeto estava em aprovação e que, portanto, as datas poderiam sofrer alterações. “O contrato é claro. O atraso ocorreu porque tivemos uma série de dificuldades em liberar questões técnicas na prefeitura municipal e no cartório. O alvará de construção demorou a ser liberado, e, quando isso ocorreu, uma de nossas clientes faleceu. Como a família não teve condições de arcar com o contrato, fizemos um aditivo. Chegamos até a propor o cancelamento do contrato, mas fomos surpreendidos com uma ação judicial”, disse.   Sobre a parceria com a Escala, Bárbara justificou que essa foi a alternativa encontrada pela BPF para retomar as obras. “Infelizmente, o mercado de construção civil está ruim. Além das questões burocráticas, esbarramos em questões mercadológicas. Hoje, buscamos investidores que honrem o compromisso que assumimos em 2011. A Escala foi uma aposta que, infelizmente, não deu certo”. Ela ainda completou: “Temos tratativas com construtoras e investidores, mas ainda não temos previsão de quando as obras serão retomadas. Por isso, não estamos fazendo a comercialização do empreendimento”. 

 

 

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