Idosa fica sem exame após ser chamada de ‘travesti’

Mulher diz que não fez prevenção por três anos porque, em seu cadastro na Secretaria Municipal de Saúde, ela constava como homem; caso foi denunciado à Justiça

iG Minas Gerais | José Augusto e Dayse Resende |

Falha. 
Em 2011, idosa foi surpreendida em consulta com resultado de exame destinado a homens
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Falha. Em 2011, idosa foi surpreendida em consulta com resultado de exame destinado a homens

 

Uma aposentada ficou cerca de três anos sem conseguir fazer um exame preventivo feminino por causa de um erro da Secretaria Municipal de Saúde. É que a paciente, após ter um exame trocado por o de um homem, passou a constar como se fosse do sexo masculino, o que gerou vários transtornos.   Tudo começou em 2011, quando, ao fazer um simples hemograma pedido pelo médico, Ademíldia Ferreira do Rosário e Silva, 60, foi surpreendida com um resultado de exame de próstata em seu nome, que teria sido encaminhado pelo laboratório do Hospital Regional. Além disso, o caso dela foi postado na internet, o que a fez passar por vários constrangimentos.   “As pessoas chegaram a me chamar de ‘travesti’, riam de mim, e eu não sabia o porquê. Só depois é que um conhecido me mostrou na internet”, contou. “Foi muito humilhante, sofri várias calúnias. Foi uma brincadeira de mau gosto essa que fizeram comigo”, completou.   Agora, só depois de três anos, o erro foi consertado. “Além do constrangimento, passei esse tempo todo sem fazer o exame preventivo porque eu constava como se fosse do sexo masculino e não conseguia autorização. Só neste ano é que eu fiz o exame, e a médica suspeitou da existência de um tumor”, disse. A biópsia ainda não foi marcada.   Devido ao erro no exame, Ademíldia processou a Secretaria Municipal de Saúde por danos morais. “O processo ainda está em curso na Justiça. Mas o que eu quero agora é que todo mundo que na época me acusou injustamente saiba que cometeu uma grande injustiça. Não tenho preconceitos, mas cometeram um erro comigo e levaram três anos para corrigir o erro”, acrescentou.   Recorrente A troca de sexo de Ademíldia em exames realizados em Betim já havia ocorrido em 2009. A paciente mostrou um pedido de eletrocardiograma à reportagem, feito por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba (Cismep), no qual ela é identificada como sendo do sexo masculino. Na época, no entanto, o erro teria passado despercebido por Ademíldia. “Nunca entendi o motivo pelo qual esses erros se repetiram comigo. Me pergunto e não acho resposta. O que me entristece é que os médicos e a Secretaria Municipal de Saúde nunca assumem que erraram”.    Respostas Em nota, a prefeitura, por meio da diretoria do Hospital Regional, confirmou que Ademíldia Ferreira do Rosário e Silva, 60, foi atendida no laboratório da unidade em 11 de julho de 2007 para a realização de exames e que o resultado do hemograma será devidamente apurado.    O Executivo negou, no entanto, que a paciente tenha sido cadastrada como sendo do sexo masculino. “Não procede a informação de que ela tenha sido cadastrada como do gênero masculino. Além disso, esse possível erro não impede a realização de exames”, frisou.   Já a assessoria de imprensa do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba (Cismep) informou que, no prontuário de Ademíldia, ela consta como sendo do sexo feminino. A assessoria também esclareceu que o Cismep não realiza cadastros, “pois é um prestador de serviços para os municípios, e estes é que fazem o agendamento e enviam os pacientes já cadastrados para o consórcio”.    A assessoria ainda completou: “No caso citado, se os registros da senhora Ademíldia chegaram do município com alguma alteração na digitação do sexo, essa falha foi percebida e corrigida”. 

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