Banco Central diz que sistema bancário suporta choques externos

BC divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) nesta quinta-feira, 18; a análise foi feita com a observação de que houve períodos de aumento da volatilidade nos mercados cambiais ao longo do semestre

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Os mercados financeiros registraram diminuição da volatilidade, em especial na segunda metade do primeiro semestre de 2014, apesar do crescimento econômico moderado nas principais áreas econômicas, avaliou o Banco Central no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) divulgado nesta quinta-feira, 18.

De acordo com o documento, houve no período abrandamento nas condições de financiamento para as economias emergentes e periféricas da Área do Euro e a melhora generalizada na precificação de seus ativos financeiros. Essa análise foi feita com a observação de que houve períodos de aumento da volatilidade nos mercados cambiais ao longo do semestre.

No Brasil, lembra o BC, em maio de 2014, a instituição interrompeu o ciclo de aumento da taxa de juros iniciado em abril de 2013 e, em junho, anunciou a manutenção, com modificações, do programa de leilões de swap cambial e de venda de dólares com compromisso de recompra. O objetivo, de acordo com o REF, era o de prover proteção cambial aos agentes econômicos e proporcionar liquidez ao mercado de câmbio.

"Ao final do semestre, os juros domésticos futuros apresentaram trajetória de queda, o mercado bursátil exibiu tendência de alta e, no mercado de câmbio, houve redução da volatilidade da cotação do real frente à moeda norte-americana."

Sistema bancário

O relatório do BC aponta que a solvência do sistema bancário apresentou estabilidade e mantém-se em patamar elevado. "O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) funcionou de forma eficiente e segura no primeiro semestre de 2014", informa o documento.

De acordo com o relatório, os índices de capitalização permanecem em níveis superiores aos requerimentos regulatórios. Isso, segundo o documento, associado aos resultados da simulação da plena implementação do arcabouço de Basileia III e da introdução do futuro requerimento de razão de alavancagem, confirma a "confortável solvência do sistema bancário".

Nas simulações de situações de estresse feitas pelo BC, o sistema bancário brasileiro apresentou "adequada capacidade de suportar efeitos de choques" decorrentes de cenários macroeconômicos adversos ou de mudanças abruptas nas taxas de juros, de câmbio ou de inadimplência. "As análises de backtesting, periodicamente realizadas para os sistemas de compensação e de liquidação de transações com títulos, valores mobiliários, derivativos e moeda estrangeira, nos quais há uma entidade atuando como contraparte central (CPC), apresentaram resultados satisfatórios a longo do semestre", apontou o REF.

Nos sistemas de transferência de fundos, ainda de acordo com o documento, a liquidez intradia agregada disponível continuou acima das necessidades das instituições financeiras participantes. Isso, avalia o BC, garante que as liquidações ocorram com "tranquilidade", sobretudo no que diz respeito ao Sistema de Transferência de Reservas (STR).

Basileia

O Índice de Basileia do Sistema Financeiro Nacional atingiu 15 5% no primeiro semestre de 2014, de acordo com o BC. Na segunda metade de 2013, estava em 16,1% e o nível mínimo regulatório é de 11%. O Índice de Liquidez do sistema passou de 1,58 para 1,51 no primeiro semestre de 2014.

As provisões para o risco de crédito no último semestre se apresentam adequadas a um novo cenário que aponta para leve aumento do risco de crédito, conforme o relatório. Esse aumento, diz o BC, seria decorrente da elevação das taxas de juros, do provável fim do ciclo de redução da inadimplência e da redução no índice de cobertura. "Compõem também esse ambiente o menor ritmo de crescimento do crédito e a manutenção de práticas e de critérios saudáveis na concessão de novas operações de crédito", observou o BC.

O documento informa ainda que o sistema bancário brasileiro manteve-se apresentando baixo risco de liquidez e elevada solvência no período. "O risco de liquidez continua baixo, apesar do aumento no período em razão do movimento de alocação de recursos para crédito, principalmente em financiamentos habitacionais, que provoca redução da participação dos ativos líquidos no balanço das instituições e alongamento de prazo nas carteiras de crédito", enumerou o documento