Crianças mortas com vacina na Síria teriam recebido relaxante muscular

As crianças receberam atracúrio em vez de uma solução utilizada para diluir as vacinas contra o sarampo; as substâncias tinham embalagens semelhantes

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A oposição na Síria diz que médicos de um programa de vacinação acidentalmente aplicaram um relaxante muscular em 75 crianças, das quais 15 morreram.

A Coalizão Nacional Síria, órgão que reúne pessoas contrárias ao regime de Bashar al-Assad, concluiu em uma investigação preliminar que as crianças receberam atracúrio em vez de uma solução utilizada para diluir as vacinas contra o sarampo.

As substâncias tinham embalagens semelhantes.

As crianças, entre seis e 18 meses de idade, morreram na terça-feira (16), em Idlib, no norte da Síria, área controlada pelos opositores.

A segunda aplicação da vacina na província começou na segunda-feira (15), mas foi suspensa após as mortes. Outras dezenas de crianças passaram mal.

A tragédia pode prejudicar a confiança nos serviços de saúde em áreas controladas pelos opositores.

"A investigação está em curso para encontrar quem é o responsável", disse Mohammed Saad, da diretoria de saúde do governo interino de oposição da Síria.

Inicialmente, a suspeita era de que a vacina estivesse vencida ou mal armazenada.

De acordo com o ministério da Saúde do governo interino, "os sintomas foram constatados nas crianças meia hora após a injeção. Elas sofreram de diarreia, reações alérgicas e problemas respiratórios".

Guerra

A população que vive no norte da Síria depende amplamente do trabalho de uma série de agências da ONU e de ONGs que disponibilizam serviços médicos essenciais, principalmente depois que a revolta contra Assad evoluiu para uma guerra civil.

O conflito, que dura três anos, deixou 10,8 milhões de pessoas em necessidade de auxílio urgente, com 4,7 milhões de pessoas em áreas difíceis de serem atingidas.

Consequentemente, todas as campanhas de vacinação tradicionais foram perturbadas ou interrompidas, e as crianças estão em alto risco para a poliomielite e o sarampo, de acordo com a Unicef.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que "disponibilizou uma equipe de especialistas para garantir assistência na investigação do incidente", mas ressaltou que é vital que os esforços para a imunização sejam retomados na Síria assim que possível.

A ONU declarou no início deste ano que 1,6 milhão de crianças deveriam ser vacinadas na Síria contra poliomielite, sarampo, caxumba e rubéola.

Leia tudo sobre: Vacinaçãosarampomedicamentoerrosubstânciarelaxante muscularSíriaguerracriançasmortasmundoONU