As atiradeiras de cascalhos mudam de mãos

iG Minas Gerais |

O artigo do jornalista Ricardo Noblat, publicado em “O Globo” de 15 último, é primoroso tanto na forma como nos comentários. Sob o título “Dilma faz com Marina o que Collor fez com Lula em 1989”, o articulista flagra, em texto exemplar, dois episódios tristes da história político-eleitoral brasileira que, comparados, por exemplo, com outro que os antecedeu – a campanha dos marmiteiros –, bem demonstram que, em termos de educação cívica, o nosso infeliz país, principalmente após o PT haver entrado em cena, cada vez mais é vítima de insidioso processo regressivo, em velocidade supersônica, para recuperar o atraso do qual, com imensa dificuldade, temos buscado libertar-nos. Em resumo, Noblat traz à baila os vergonhosos espetáculos que as pessoas educadas tiveram de suportar durante a campanha presidencial de 1989, cujas consequências desembocaram em duas contradições ainda hoje típicas da vida política nacional. Àquela feita, os torpes estilingues foram distribuídos aos sicários da campanha de Collor; na atual quadra, os instrumentos de barbárie devem ter sido retirados dos estoques do demagogo das Alagoas e emprestados ao seu fiel amigo de hoje, cujo governo apoiou – e ao da sua camarada e protegida – na torpe corrida pela reeleição. Os instrumentos lançadores das ofensas mais mesquinhas, das mentiras, das infâmias mudaram apenas de mão. A fúria imoral e sem escrúpulos passou apenas de usuários, com as mesmas características, dirigidas agora contra honrada militante política, fragilizada de físico pela dura luta para manter-se viva e fortalecida na coragem por ter chegado até aqui. Sinto-me, neste turbilhão de covardia, nesta facilidade de manipular o opróbio, neste gosto de usar qualquer meio para atingir os fins mais cruéis que massacram o senso de dignidade, como um ser perdido e sem sentido, a confrontar valores morais que recebi e desenvolvi com a truculência física e intelectual que, como o inchaço das moléstias, tem avançado pela sociedade brasileira nos últimos tempos. Não é possível que, no âmbito de campanhas eleitorais realizadas para esclarecer e orientar os detentores da vontade popular, na escolha dos melhores que se oferecem para representá-la, predomine a mais abominável lei do vale-tudo enquanto capta o voto desprevenido do eleitor. Assim estão utilizando esse recurso deplorável, essa malícia podre e amaldiçoada, verdadeiro crime contra a cidadania. Ademais, como comenta Noblat, “o programa de propaganda dela (a dra. Dilma) na TV sugeriu que autonomia do Banco Central é igual a faltar comida na mesa dos brasileiros”. Meu Deus, é de estarrecer! Muito ao contrário, a autonomia formal da autoridade monetária tem por objetivo assegurar exatamente o oposto. O mais importante resultado desse status é justamente o de combater o aumento geral de preços, mantendo-lhes a estabilidade e defendendo o povo, particularmente os mais pobres e os assalariados. É incrível a desfaçatez da mentira! Até quando restarão impunes o logro e a falsidade?

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