Pesadelo da falta d’água já atinge metade dos municípios

Bairros de BH, Triângulo e Norte convivem com desabastecimento

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa / Queila Ariadne |

Crítico. O rio São Francisco, que abastece inúmeras cidades mineiras, sofre com a falta de chuva e está seco em vários pontos: as previsões de melhora no cenário são cada vez mais pessimistas
LINCON ZARBIETTI
Crítico. O rio São Francisco, que abastece inúmeras cidades mineiras, sofre com a falta de chuva e está seco em vários pontos: as previsões de melhora no cenário são cada vez mais pessimistas

Até o ano que vem, mais de 3.000 cidades, ou 55% do total de municípios do Brasil, podem enfrentar problemas de abastecimento de água. O risco foi detectado pela Agência Nacional de Águas (ANA), no relatório Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água. A mesma previsão vale para Minas Gerais. O estudo, elaborado em 2011, foi atualizado pela agência e as projeções confirmadas nesta quarta.

O levantamento considerou a disponibilidade hídrica e as condições de infraestrutura dos sistemas de produção e distribuição e apontou o problema antes mesmo do prolongado período de estiagem que castiga o país.

Em 2011, a agência calculou em R$ 22 bilhões os investimentos necessários para evitar o desabastecimento. Com a seca dos últimos dois anos e sem a aplicação dos recursos necessários, o problema chegou antes do previsto em diversos municípios.

Em Minas Gerais, a Copasa, que abastece 600 municípios, informou que a crise hídrica é a pior dos últimos cem anos. A empresa diz que, em média, a vazão dos rios do Estado caiu 40%, mas há casos mais críticos e, em algumas cidades, a falta de água já é uma realidade.

Em Sete Lagoas, região Central do Estado, os constantes cortes no abastecimento estão assustando a população. A professora Adriana Vieira mora no bairro Boa Vista e conta que o local ficou sem água durante quase cinco dias. “A água começou a faltar na quinta e só voltou no domingo à noite. Não recebemos nenhum comunicado”, afirma.

O abastecimento de água da cidade é de responsabilidade do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). A reportagem tentou contato, mas ninguém atendeu o telefone até o fechamento desta edição.

No Triângulo Mineiro, o racionamento já começou. Nesta quarta, a Prefeitura de Uberaba decretou estado de emergência. A distribuição de água é suspensa temporariamente todos os dias, em diferentes bairros, na tentativa de normalizar os estoques dos reservatórios e evitar o desabastecimento nas partes mais altas da cidade.

No site do Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (Codau), um aviso informa quais os bairros terão o abastecimento interrompido e por quanto tempo ficarão sem água. Nesta quarta, a lista tinha seis bairros.

“O esforço do Codau é para que todos tenham água para abastecer suas reservas domésticas pelo menos uma vez por dia”, diz o comunicado. Em Uberlândia, o fornecimento de água é cortado diariamente desde o início deste mês. O departamento municipal de água não descarta a possibilidade de iniciar um racionamento, caso não haja recuperação dos níveis dos rios que abastecem a população.

Em Itabira, região Central, o racionamento também já foi adotado e o fornecimento de água é cortado das 13h às 20h por tempo indeterminado. Nas regiões Sul e Alto Paranaíba, a Copasa já perfurou quase 40 poços em busca de água e duas cidades, Campos Gerais e Rio Paranaíba, acusam a empresa de fazer racionamento velado. Em Pará de Minas (Central), 56 poços não garantiram o abastecimento.

Números

3.069 cidades terão problemas de abastecimento até 2015

R$ 22 bilhões é o investimento necessário nos sistemas

40% é quanto a vazão dos rios caiu em Minas Gerais

Lista

Grandes. Na lista da ANA, são apontados problemas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em São Paulo, a situação é crítica desde o início do ano.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave