Pista exclusiva garante ao Move velocidade 50% maior

BHTrans avaliou comportamento do sistema em um trecho de 7 km da Cristiano Machado

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Entrave. Rendimento do Move diminui quando outros veículos trafegam na faixa exclusiva
LEO FONTES / O TEMPO
Entrave. Rendimento do Move diminui quando outros veículos trafegam na faixa exclusiva

Seis meses após o início da operação do Move, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) constatou que a velocidade média dos ônibus do BRT, quando em circulação pela pista exclusiva da avenida Cristiano Machado, é 50% maior se comparada à dos veículos que trafegavam na pista mista. Isso reforça, para especialistas na área, a necessidade de segregação para melhorar o desempenho do transporte público e a fluidez no tráfego.

O parâmetro usado para chegar a esse índice levou em consideração um trecho de 7,36 km da avenida Cristiano Machado desde o entroncamento com o Anel Rodoviário, na altura do bairro São Gabriel, na região Nordeste, até o túnel da Lagoinha. A velocidade média no pico da tarde nas faixas mistas era de 16,5 km/h. No corredor exclusivo, o Move trafega a 33 km/h. “Quando se separa parte da pista para o ônibus, a consequência é aumentar a velocidade para o coletivo e diminuir a do carro. Se a avenida Amazonas, por exemplo, passasse a ter uma pista isolada para os ônibus no canteiro central, teria um fluxo muito mais intenso para os carros, mas os coletivos andariam mais rápido”, analisa Osias Baptista, consultor em transportes e trânsito. Essa melhora no desempenho do transporte público onde foi implantado o corredor exclusivo do Move pode ser um dos passos para reverter o aumento de 65,7% no tempo das viagens em coletivos de toda a cidade, registrado entre 2002 e 2012 . “É necessário investir no transporte coletivo. Quem quiser ir de ônibus terá ganhos, e quem não quiser vai ficar preso dentro do carro. Se os investimentos continuam priorizando os carros, não teremos mais saída”, diz Baptista.

A estudante de nutrição Thais Almeida Maia, 25, nunca havia utilizado o Move. A sua experiência começou no mês passado, quando ela precisou se deslocar da área hospitalar para o campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na Pampulha. Para ela, houve uma grande economia de tempo. “Não imaginei que o sistema fosse oferecer esse benefício”, diz. O último levantamento feito pelo Plano de Mobilidade Urbana de Belo Horizonte mostrava que a velocidade média no transporte coletivo da cidade era de 19,9 km/h em 2008. Levando em consideração o maior índice já atingido pelo Move (43 km/h, na avenida Antônio Carlos), houve um crescimento de 126%. 

Pesquisa Dado. Um estudo feito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo mostra que, na capital paulista, as pistas exclusivas também garantem maior velocidade média aos ônibus. Lá, foi constatado um crescimento de 68,7% na velocidade.

Problemas Como já foi mostrado por O TEMPO em matérias anteriores, a integração e a falta de pelo menos 18 linhas do Move ainda são empecilhos para o pleno funcionamento do sistema, segundo usuários. Mesmo com o aumento das velocidades médias, passageiros ainda perdem tempo entre as linhas alimentadores e as estações.

Análise Mesmo com os incômodos de uma grande obra, a enfermeira Ana Laura Roca, 27, acredita que é necessária a implantação de um corredor exclusivo para o Move em todos os trechos por onde o sistema passa. “Aqui, na área hospitalar, se houvesse o corredor, o ônibus passaria sem problemas”, afirma. 

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