Transporte em marcha lenta

De 2002 a 2012, as viagens em coletivos foram 65,7% mais demoradas em Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

Parados. O tempo médio gasto em uma viagem de ônibus, em 2012, chegou a pouco mais de uma hora
RICARDO MALLACO / O TEMPO
Parados. O tempo médio gasto em uma viagem de ônibus, em 2012, chegou a pouco mais de uma hora

A falta de incentivo ao uso do transporte público e o aumento da frota derrubaram a velocidade média dos coletivos da capital e levaram com ela a atratividade do sistema. De 2002 a 2012, as viagens em coletivos ficaram 65,7% mais lentas, segundo a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans). Se antes o tempo médio em deslocamentos era de 38 minutos e 12 segundos, dez anos depois as viagens duravam em média uma hora, cinco minutos e 50 segundos. Essa situação coloca a capital em um círculo vicioso, aumentando o preço das passagens e reduzindo a eficiência do transporte coletivo, que continua a perder usuários, levando mais carros para as ruas.  

Com o aumento dos congestionamentos, as empresas de ônibus precisam de uma frota maior para fazer o mesmo percurso no intervalo de tempo determinado. Isso impacta diretamente o custo de operação e, consequentemente, o preço da tarifa. Assim, além de mais lento, o serviço ficou mais caro.

Analistas de trânsito são unânimes em afirmar que a busca por mais agilidade do belo-horizontino prejudica a todos em médio prazo. O tempo de deslocamento tanto de quem anda de carro quanto de quem opta pelo ônibus aumentou quase 70% em dez anos. “Belo Horizonte tem que tomar uma decisão. Ou nós vamos todos optar pelo transporte individual e estaremos condenados a ficar parados em congestionamentos, ou vamos ceder um espaço público para o transporte coletivo, reduzindo o espaço dos automóveis para criar faixas exclusivas para os ônibus”, afirma Osias Baptista, consultor em transportes e trânsito.

A importância das faixas exclusivas para o transporte coletivo é comprovada com o aumento das velocidades médias dos ônibus do Move ao transitar pelos corredores. Baptista explica ainda que essa medida não vai, necessariamente, implicar em uma grande melhora no fluxo de automóveis particulares. “Para dar certo, é preciso encontrar um equilíbrio, pois as vias para carros não podem ser mais rápidas que as de ônibus, mesmo com a redução de automóveis nas ruas por causa da migração de motoristas para o transporte público. Para dar certo, tem que haver um nível de saturação da via que mantenha o transporte público mais rápido”, explica.

Já o engenheiro especialista em transportes e trânsito Francisco Magalhães destaca que faltou investimento no transporte público. Ele defende que, por causa disso, até mesmo o Move está subutilizado. “Você passa pela Cristiano Machado, e as estações ao longo da avenida estão vazias”, destaca.

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