Vade retro didático e com encenação pobre não assusta

2013 mostrou que o subgênero do exorcismo ainda é capaz de produzir exemplares assustadores com o bom “Invocação do Mal”

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Bana vive policial inspirado no autor do livro que inspirou o filme
Andrew Schwartz
Bana vive policial inspirado no autor do livro que inspirou o filme

O tema e a grande cena do clímax fazem de “Livrai-nos do Mal” mais um dos herdeiros da tradição de filmes com o capeta no corpo imortalizada por “O Exorcista”. E o terceiro ato do longa é diretamente chupado de outro paradigma recente do suspense, “Seven”. Mas os dois clássicos que o diretor Scott Derrickson parece não ter estudado, “O Iluminado” e “O Bebê de Rosemary”, são os que ensinam a lição mais importante do cinema de terror: sugerir é muito mais assustador que explicar.  

E ignorar essa máxima é o maior problema da produção, que estreia nesta quinta. Baseado em relatos reais, o filme acompanha o policial Ralph Sarchie (Eric Bana) que, após atender a uma chamada de violência doméstica e investigar uma mãe que jogou seu bebê na jaula dos leões no zoológico, acaba enveredando por uma trama de possessão e ocultismo envolvendo veteranos da guerra do Iraque.

Derrickson parece confiar cegamente no poder de seu roteiro e não busca em nenhum momento formas visuais criativas de traduzir na tela a enorme quantidade de informação expositiva e relatos passados presentes nos diálogos. A encenação pobre do diretor, que teve um começo de carreira promissor com “O Exorcismo de Emily Rose”, mas só piorou depois, se limita a contrastar a escuridão (repetitiva) do mundo adentrado por Sarchie com a luz de suas cenas em família.

Isso é agravado por repetições de informação que o público já tem, o que faz com que ele se sinta mais esperto que o protagonista – e que o próprio filme. E esse é um erro fatal em qualquer produção. O didatismo expositivo pode ser percebido nas longas cenas em que Sarchie e o padre Mendoza (Édgar Ramírez), religioso que ajuda o protagonista em sua investigação, relembram seus traumas.

Mas o pior exemplo é o grande vade retro final, em que Mendoza tem a inglória tarefa de explicar para Sarchie (e para o público) as diferentes etapas de um exorcismo – enquanto enfrenta um demônio milenar super forte, poderoso e disposto a exterminar a humanidade.

2013 mostrou que o subgênero do exorcismo ainda é capaz de produzir exemplares assustadores com o bom “Invocação do Mal”. Mas o acerto do longa de James Wan era exatamente reconhecer os clichês do gênero e usá-los de forma competente a seu favor. “Livrai-nos do Mal” se leva a sério demais, especialmente quando faz um sermão religioso de que a confissão é a única forma de combater certos males. De todas as coisas que o longa tenta explicar sem muita sutileza, as razões pelas quais você deve ir à igreja são definitivamente as piores. 

Outras estreias

Dois longas nacionais com títulos parecidos, e tramas bem diferentes, chegam no circuito. “Lascados” é comédia estrelada pelo galã Chay Suede, que parte com amigos para o Carnaval na Bahia. E “Isolados” é suspense com Bruno Gagliasso, Regiane Alves e o último trabalho de José Wilker.

“Maze Runner – Correr ou Morrer” é nova aventura infantojuvenil sobre jovens presos em um labirinto, dirigida pelo estreante Wes Ball. “Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola” é a nova comédia de Seth MacFarlane (“Family Guy” e “Ted”) que foi um fracasso nos EUA. E a California lança “Uma Nova Chance para Amar”, com o saudoso Robin Williams no elenco.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave