Premiê iraquiano diz que tropas dos EUA não são necessárias

Na quarta (16), o chefe do Estado Maior das Forças Armadas americanas, general Martin Dempsey, admitiu que não está descartado o envio de militares dos EUA para combater o grupo radical

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O novo primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, disse nesta quarta-feira (17) que tropas estrangeiras em solo não são necessárias na luta contra a facção Estado Islâmico no país. Na quarta (16), o chefe do Estado Maior das Forças Armadas americanas, general Martin Dempsey, admitiu que não está descartado o envio de militares dos EUA para combate contra o EI.

O presidente americano, Barack Obama, afirma, porém, que não enviará tropas ao Iraque e baseia sua estratégia contra o EI em ataques aéreos coordenados com o governo iraquiano.

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, Abadi disse que os ataques aéreos americanos ajudaram nos esforços do país para deter os radicais sunitas, mas ressaltou que tropas no solo estão "fora de questão". "Nós não queremos isso. Não vamos permitir", disse.

O primeiro-ministro pediu que a comunidade internacional aja contra o EI também na Síria, onde o grupo também controla territórios. Por enquanto, uma coalizão com 26 países, liderada pelos EUA, prometeu ajuda ao Iraque no combate ao EI durante um encontro em Paris nesta semana.

Os países ocidentais se recusam a coordenar esforços com o regime sírio de Bashar al-Assad e apoiam a insurgência que tenta derrubar seu governo desde 2011. "A luta vai continuar a menos que o EI seja atingido na Síria", disse Abadi. "É uma responsabilidade da comunidade internacional -especialmente dos EUA- fazer algo a respeito do EI na Síria".

A CIA estima que a fação sunita tenha entre 20 mil e 31 mil combatentes no Iraque e na Síria. Abadi disse também que a ausência do Irã na reunião em Paris é "intrigante". O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que os EUA não irão cooperar com o Irã e disse que a presença do país na reunião não seria adequada por seu papel na Síria.

O Irã, aliado do Iraque, é também um defensor do regime de Assad. O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, disse que rejeitou um pedido dos EUA de cooperação contra o EI, mas garantiu que o país apoia o Iraque e a Síria na luta contra o terrorismo.

Atentado

Sete pessoas morreram e uma ponte estratégica foi destruída nesta quarta em um ataque suicida com carro-bomba em Ramadi, capital da província de Anbar, onde o Exército iraquiano combate o EI. Segundo Mahmud al-Wazan, coronel da polícia, as vítimas eram aparentemente civis.

Segundo Wazan, a explosão destruiu a ponte Albu Faraj sobre o rio Eufrates, na cidade localizada a cerca de 100 km de Bagdá. "Esta é a quarta ponte em Ramadi destruída por um ataque, e era a última que os civis podiam cruzar", informou.

As outras duas pontes ainda existentes e que permitem realizar a travessia do rio, são utilizadas estritamente pelas forças do governo. O EI controla diversas partes de Ramadi.

Ataques

Forças iraquianas lançaram uma operação militar intensa contra insurgentes do EI em três cidades no centro do país nesta quarta-feira, almejando retomar o controle de territórios perdidos, informaram fontes do setor de segurança.

As ofensivas em Ramadi, Falluja e Haditha, na província de Anbar, no oeste do Iraque, começaram antes da madrugada, segundo as fontes presentes nas três localidades. Tribos sunitas se revoltaram nestas áreas no final de 2013, quando o então primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki, enviou suas forças para essas cidades para reprimir um movimento de protesto antigoverno que já durava um ano.

Mais tarde, os insurgentes do Estado Islâmico entraram nessas cidades e se tornaram a força dominante. Na semana passada, Abadi prometeu encerrar os ataques contra áreas urbanas iraquianas para diminuir as baixas civis. Os ataques desta quarta-feira aconteceram em subúrbios distantes das três cidades.

Em Ramadi, os confrontos deixaram oito mortos. Em Falluja, ataques da força aérea iraquiana mataram 12 civis.

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