Sem-teto não podem se deixar usar por oportunistas, afirma Haddad

A avaliação do prefeito se aproxima da do comandante da PM na capital, Glauco Silva de Carvalho, que afirmou nesta terça ter identificado a atuação de integrantes da tática "black bloc"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira (17) que o movimento de moradia "não deve deixar ser utilizado por oportunistas" que promoveram atos violentos como os que ocorreram ontem no centro, durante a reintegração de posse de um edifício invadido na avenida São João.

"O que aconteceu foi o seguinte: por resistir ao cumprimento de uma decisão judicial, pessoas externas, estranhas ao movimento de moradia, se valeram da oportunidade para criar aquela situação que ninguém deseja. Isso é muito ruim, e o movimento tem que compreender que não deve deixar ser utilizado por esses oportunistas", disse o prefeito durante visita ao antigo Clube de Regatas Tietê, que será reaberto para a 8ª Virada Esportiva, neste fim de semana.

Segundo Haddad, esses grupos protagonizam episódios de violência em manifestações desde junho do ano passado. "Oportunistas se aproveitam da situação para promover ataques -ao poder público, aos lojistas, ao cidadão comum- que ninguém deseja".

A avaliação do prefeito se aproxima da do comandante da PM na capital, Glauco Silva de Carvalho, que afirmou nesta terça ter identificado a atuação de integrantes da tática "black bloc", que prega a depredação do patrimônio como forma de protesto.

Resistência

Haddad ainda criticou a resistência à ordem de despejo por parte de ocupantes -o que foi apontado pela Polícia Militar como causa os confrontos com os sem-teto que tomaram parte da região central por mais de 12 horas. Os sem-teto negam e dizem que o tumulto começou porque não havia o número de caminhões de mudança combinado para a remoção das 315 famílias.

"Não tem cabimento resistir à decisão judicial. A decisão judicial foi tomada, foi dado o tempo, os meios foram colocados à disposição, os abrigos foram colocados à disposição", disse Haddad.

Ele afirma que procurou negociar a desapropriação do edifício da av. São João para habitação previamente, mas que a prefeitura não tinha recursos para pagar o valor fixado pelo imóvel na Justiça. "Sairia em torno de R$ 40 milhões, um valor extremamente exorbitante e incompatível com as possibilidades da prefeitura. Estamos investindo R$ 500 milhões em desapropriações, mas para produzir 55 mil moradias. Não posso gastar R$ 40 milhões com um único prédio", disse.

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