FHC: ‘perdi uma eleição ganha’

Ex-presidente citou derrota na disputa municipal de 1985 para encorajar Aécio Neves a lutar por vitória

iG Minas Gerais |

Discursos. Em jantar com FHC, Alckmin e empresários, Aécio ouviu palavras de motivação para não desistir de disputar a Presidência
VANESSA CARVALHO
Discursos. Em jantar com FHC, Alckmin e empresários, Aécio ouviu palavras de motivação para não desistir de disputar a Presidência

São Paulo. Principal articulador político da candidatura presidencial de Aécio Neves no PSDB, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso usou a derrota que sofreu para Jânio Quadros na disputa pela prefeitura de São Paulo em 1985 para estimular a campanha do aliado, que está estagnado em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. “Eu perdi uma eleição ganha no dia (da votação) para prefeito de São Paulo. Graças a Deus, porque cheguei à Presidência. Talvez não tivesse chegado”, disse FHC, na noite dessa segunda.  

Com o exemplo, o ex-presidente quis mostrar que, em se tratando de política, tudo pode mudar, até o quadro atual que aponta Aécio de fora do segundo turno. A declaração foi feita em um jantar fechado com empresários e dirigentes tucanos na casa do empresário João Doria, presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) na capital paulista, em homenagem ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Na disputa pela prefeitura em 1985, FHC era o franco favorito, mas acabou derrotado por Jânio em uma virada na reta final. “Política não é matemática. Estamos aqui para apelar, e eu apelo mesmo. Essas não são palavras de desespero, mas de convicção. Sem esforço não se vence”, disse o ex-presidente.

FHC também fez duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. “Até que ponto vão abusar da nossa paciência? Estamos em uma situação calamitosa, que dá repulsa. Estão arruinando moralmente o Brasil”.

O ex-presidente disse que ficou “golpeado” e sentiu “mal-estar” ao voltar de Chicago no domingo, onde proferiu uma palestra, e ler as revistas semanais com as notícias sobre a delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Aécio, que tem chamado do caso de “mensalão 2”, aposta no episódio para desgastar Dilma e chegar ao segundo turno.

O tucano começou a disputa pelo Planalto em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, com vantagem folgada sobre o terceiro colocado, o então candidato do PSB, ex-governador Eduardo Campos. Com a entrada de Marina Silva na cabeça da chapa em razão da morte de Campos, Aécio perdeu para a adversária a segunda colocação.

Em um rápido discurso, Aécio citou Guimarães Rosa. “Na vida, o importante não é a chegada, nem a largada. Mas a caminhada.”

BNDES

Bolsa. O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou que, caso seja eleito, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai deixar de dar o que ele chama de “bolsa- empresário”.

Ataques. A declaração foi uma crítica direta aos empréstimos concedidos pela instituição financeira durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) a grandes empresas de todo o país, com recursos do Tesouro. “No meu governo, o ‘S’ de ‘BNDES’ será, de fato, ‘social’, afirmou Aécio.

Empresário

Apoio. Em sua fala, João Doria também recorreu à derrota de 1985. “Que isso sirva de inspiração positiva ao reverso. O Fernando Henrique estava eleito, mas em 48 horas tudo mudou”, lembrou.

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