Dona da Nextel pede “concordata”

Empresa renegocia com credores US$ 4,35 bilhões de uma dívida total de US$ 6 bi

iG Minas Gerais |

Renovação. Sem o apelo do rádio, Nextel agora investe pesado na internet, mas já começou atrasada
Nextel/Divulgação
Renovação. Sem o apelo do rádio, Nextel agora investe pesado na internet, mas já começou atrasada

São Paulo. A NII Holdings, dona da operadora Nextel no Brasil, registrou um pedido voluntário de recuperação judicial no tribunal de falências de Nova York, nos Estados Unidos. Ao pedir a proteção do capítulo 11 da Lei de Falências norte-americana, a empresa dá um passo importante para renegociar suas dívidas, que chegam a um total de quase US$ 6 bilhões.

A fatia que está sendo renegociada com credores é de US$ 4,35 bilhões. Os débitos das subsidiárias do Brasil, México e Argentina não entram nessa negociação. Além disso, no fim desse processo o Brasil será beneficiado com mais investimentos do grupo, segundo afirmou ao jornal “Valor Econômico” o presidente da subsidiária local, Gokul Hemmady.

Embora o procedimento, que seria próximo a um pedido de recuperação judicial – a antiga concordata –, não envolva diretamente a Nextel, a decisão reacende o debate sobre o destino da empresa, que tem cerca de 4 milhões de clientes e faturou R$ 376 milhões no segundo trimestre – quase a metade de toda a receita da NII.

A Nextel passou por uma correção de trajetória ao longo dos últimos dois anos. A empresa, ainda mais conhecida pelo serviço de rádio, está tentando modificar a sua oferta, focando principalmente na internet 3G. A companhia teria investido R$ 500 milhões, tanto em ampliação da rede quanto em marketing no ano de 2013. A expectativa dentro da Nextel é de ampliar esse investimento para até R$ 1 bilhão em 2015, caso a holding consiga alongar o perfil de seu endividamento.

Pouco competitiva. O problema, segundo fontes de mercado, é que a empresa perdeu competitividade nos últimos anos. Com o serviço de rádio, concentrava sua clientela no setor corporativo. Desde 2009, quando a TIM começou a oferecer chamadas ilimitadas dentro de sua rede, sendo seguida rapidamente pelas demais, essa vantagem passou a se esvair.

A empresa se viu obrigada a brigar diretamente com as gigantes. Lançou com atraso o serviço de internet 3G e começou a oferecer o 4G em junho, apenas no Rio. Agora aposta em ofertas agressivas para ampliar sua base de assinantes.

Para especialistas, a venda da unidade brasileira é a saída mais provável. Mas, para que a Nextel não acabe entregue por um valor muito baixo, o melhor que a holding teria a fazer seria tentar melhorar suas margens no país, para que um concorrente esteja disposto a pagar mais. A empresa, porém, afirma que vai manter a operação no país.

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