Rio, não te amaram

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Costumo dizer que é impossível ficar deprimido no Rio de Janeiro porque gosto de pensar que aquela paisagem acachapante é capaz de tirar qualquer tristeza do coração de alguém. Por isso, acredito na mesma medida que a Cidade Maravilhosa é inspiradora. Tom Jobim e companhia estão aí para reafirmar a minha tese. Daí a decepção com “Rio, Eu Te Amo”, filme que faz parte da franquia Cities of Love, idealizada pelo francês Emmanuel Benbihy e que já homenageou outras duas metróples, em “Paris, Eu Te Amo” e “Nova York, Eu Te Amo”. Ao contrário dos capítulos anteriores da série, “Rio, Eu Te Amo” é pura decepção. Nenhuma das dez histórias que compõem o longa se sustenta sozinha como curta, fazendo com que a reunião de todas elas se torne um suplício, embora dure apenas 90 minutos.

É normal em filme de episódios que um seja melhor do que outro. O surpreendente é quando nenhum deles chega a agradar, como é o caso de “Rio, Eu Te Amo”, principalmente se considerarmos o valor dos cineastas reunidos: Fernando Meirelles, José Padilha, Paolo Sorrentino, Carlos Saldanha, Andrucha Waddington, entre outros Com histórias banais, roteiros fracos e direções convencionais – Meirelles é o único que tenta algo “mais experimental” em seu “A Musa”, com nenhum diálogo e ângulos inusitados de câmera, mas que não levam a lugar nenhum –, o filme vira um cartão-postal do Rio de Janeiro, abusando de sua bela paisagem (isso sem contar o merchandising, que rola solto). Há alguns curtas que quase chegam lá, mas aí descambam, como é caso de “Eu Te Amo”, de Stephen Elliot, com a aparição constrangedora e desnecessária de Bebel Gilberto no final. Outros têm um bom argumento, mas não se sustentam, caso do “manifesto político” pretendido por José Padilha em “Inútil Paisagem”, que mais parece ter sido feito por um adolescente rebelde, sem verdade ou conteúdo. E tem aqueles, como “Vidigal”, de Im Sang-soo, que depõe contra a imagem de seus realizadores. Com isso, quando chega o último capítulo, o fraco “O Milagre”, você tende a achar que ele é bom. Não é, só está um pouco acima dos demais, muito em função do carismático protagonista mirim Cauã Antunes. Sobra pouco, muito pouco, de “Rio, Eu Te Amo”. A presença sempre iluminada de Fernanda Montenegro, a roubada de cena de Cauã Antunes e a bela música de Gilberto Gil. E só. O Rio merecia uma homenagem a sua altura.

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