Festival ainda coloca foco na competição

Mostra Competitiva é a marca do evento que tenta se equilibrar entre pesquisa e aproximação com o público

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Procura. “Teste para Não-atrizes” é uma das cenas vindas de fora da cidade
Thiago Lira / Divulgacao
Procura. “Teste para Não-atrizes” é uma das cenas vindas de fora da cidade

O Festival de Cenas Curtas, do Galpão Cine Horto, se notabiliza por abrir espaço para novos propostas de experimentação, em esquetes de 15 minutos. Nele, artistas promovem encontros inéditos e arriscam assumir novas funções dentro da seara das artes cênicas. Mas, como lidar com um projeto de tamanho risco em uma mostra que elege “as melhores” cenas da noite? O evento funciona como uma mostra competitiva e manter ou não esse formato é uma das questões que perpassam os 15 anos de Cenas Curtas e até hoje, a opção de manter a competição prevalece, mesmo que em alguns momentos isso possa soar contraditório.

“Essa é uma pergunta que nós nos fazemos com frequência”, comenta Leonardo Lessa, coordenador do espaço. “Não queremos estimular a competitividade nos artistas que participam do Cenas Curtas”, garante. As cenas vencedoras e mais uma quinta, que poderá ou não ser selecionada por uma comissão, faz na próxima semana, a temporada das cenas mais votadas.

“Será que precisa dessa semana das mais votadas?”, pergunta Alexandre de Sena, ator e parceiro de vários coletivos como o Espanca! e Paisagens Poéticas. De Sena é uma dessas figurinhas carimbadas no Festival, já participou como ator, compôs trilhas sonoras e, este ano, assina sozinho a direção de uma cena, pela primeira vez.

O voto do público e sua efetiva participação é um dos aspectos que mantêm a mostra como ela sempre foi até hoje, é o que acredita Lessa: “É a maneira mais objetiva do público expressar sua opinião”. O risco de um tipo de linguagem mais popular – a comédia, por exemplo – se sobressair sobre as outras propostas é real, mas a possibilidade da comissão julgadora escolher uma quinta cena que não tenha sido selecionada é, ainda na opinião de Lessa, uma forma de aparar essas arestas. Além disso, o Festival vende apenas duas entradas por pessoa para que não se formem verdadeiras torcidas dessa ou daquela cena.

“Como o artista costuma mostrar um trabalho que ainda não está pronto, a semana das vencedoras é a possibilidade de continuar o diálogo com o público e também de dar sequência à pesquisa. Essa é a única coisa que o artista ganha, então acredito que a competição seja positiva”, comenta.

“Como um espaço de questionamento e experimentação, não deveria existir a mostra competitiva – deveria ser uma mostra de trabalho. O que se ganha com essa votação é apenas um fim de semana em cartaz. Poderia ter um estímulo. Se é a para premiar, vamos pensar numa outra forma. O espaço já é dado, ele já está lá, ocupado”, discorda Sena.

Debate. Na tentativa de desdobrar as cenas curtas em outras frentes, uma das atividades que extrapolam as apresentações são os debates que acontecem no dia seguinte da apresentação das esquetes. A oportunidade do artista ter seu trabalho na roda de conversa conta com a participação de críticos, artistas convidados (novidade deste ano) e público. Além disso, no site do Galpão Cine Horto (www.galpaocinehorto.com.br), na seção No Calor da Cena, é possível ler críticas de Luciana Romagnolli, Júlia Guimarães e Nina Caetano.

Agenda

O quê. Festival de Cenas Curtas

Quando. De hoje até sábado, às 21h, e domingo, às 20h

Onde. Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto)

Quanto. R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

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