A atual corrida eleitoral é a menos previsível desde a eleição

iG Minas Gerais |

DUKE
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Nestas três semanas que restam até o primeiro turno, alguns eventos podem interferir no processo eleitoral. Com uma disputa tão acirrada, certos detalhes podem fazer a diferença. Um fator de constante especulação deixou de existir: a substituição de candidaturas. O fantasma que acompanhava a presidente Dilma Rousseff (PT) desde 2013 deixará de assombrá-la. A lei eleitoral determina que substituições de candidatos só podem ser feitas até 20 dias antes da eleição. Portanto, o “volta, Lula” acabou. O detalhamento dos programas de governo de Aécio Neves (PSDB) e de Dilma Rousseff deve ocorrer nos próximos dias. O de Aécio deve ser anunciado nesta semana. O de Dilma ainda não tem previsão. Talvez ela segure o máximo possível sua divulgação para evitar críticas dos adversários, em especial de Marina Silva (PSB). Os escândalos envolvendo a Petrobras continuam gerando apreensão entre políticos e empresários. Na quarta-feira, o ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa deve comparecer à CPI mista para depor. Ele está contando tudo o que sabe à Polícia Federal. Ainda que não faça revelações contundentes à CPI, seu depoimento na PF, sob sigilo, pode vazar e gerar novas turbulências. Dois debates antes do primeiro turno estão programados. Um, hoje, organizado pela CNBB; outro, às vésperas das eleições (dia 2 de outubro), promovido pela TV Globo. Este poderá ser muito importante no sentido de causar alguma volatilidade no eleitorado. A divulgação de pesquisas eleitorais também deve mexer com as estratégias das campanhas. Pelo menos dez novos levantamentos serão divulgados até a eleição (Datafolha, Ibope, Vox Populi, Sensus e MDA). Enquanto isso, Dilma Rousseff resiste ao tsunami Marina Silva e mantém a liderança nas prévias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2014. O resultado do Ibope, divulgado na última sexta-feira, quando faltavam 24 dias para o primeiro turno, é altamente alentador para a presidente, já que, além de manter a liderança, ela conseguiu elevar a aprovação a seu governo. Bem como aparecer em situação de empate técnico com Marina no segundo turno. Apesar da variação (na margem) negativa de Marina, a candidata do PSB também demonstra admirável resistência para manter-se competitiva, após a tragédia que resultou na morte de Eduardo Campos e na novidade de sua ascensão ao assumir o seu lugar na corrida presidencial. Desde que alcançou a condição de favorita, Marina tem sido impiedosamente atacada pelo PT. Em parte devido à estratégia de campanha do partido, em parte pelos equívocos de dar peso excessivo à questão da autonomia do Banco Central. Consolida-se, com a proximidade da etapa final da eleição, uma nova polarização, que acabou afastando o PSDB da disputa. Sem um discurso claro e com uma estratégia de comunicação e um perfil oposicionista errados, Aécio deve torcer para não cair ainda mais e esperar um improvável milagre que restabeleça sua competitividade. Considerando que nada de muito novo aconteça, Dilma e Marina vão disputar o segundo turno. Será uma campanha dura e de resultado imprevisível. Marina deixou de ser a inconteste favorita, mas tampouco Dilma assumiu esse papel. Tudo pode mudar. E isso é o que anima a atual corrida eleitoral, de longe a menos previsível desde a eleição de Fernando Collor em 1989. Mesmo que a disputa de segundo turno seja imprevisível, Marina leva uma pequena vantagem. Apesar de seu índice de rejeição estar crescendo por conta dos ataques que vem sofrendo, o percentual é inferior ao registrado por Dilma, o que é importante numa disputa de segundo turno. A candidata do PSB também tem maior capacidade de atrair os eleitores de Aécio.

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