Para sem-teto, PM descumpriu acordo e saques foram ação de oportunista

A retomada do prédio no centro causou uma confusão generalizada em diversas ruas do entorno

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Integrantes da FLM (Frente de Luta por Moradia) dizem que houve resistência à reintegração de posse no prédio da avenida São João, no centro de São Paulo, pois não foi cumprido o acordo firmado com a Polícia Militar anteriormente.

A retomada do prédio no centro causou uma confusão generalizada em diversas ruas do entorno. Lojas foram depredadas e saqueadas. Um ônibus foi incendiado. Segundo os sem-teto, a manhã foi marcada por uma ação desproporcional da PM. De acordo com eles, a quantidade de caminhões e carregadores oferecidos não era suficiente para os moradores que viviam no local.

"O combinado era vir com 40 caminhões e 120 carregadores para tirar todos os pertences. Isso já havia sido combinado com a polícia. Hoje de manhã tinha bem menos do que isso. Por isso resistimos", disse a coordenadora da FLM Silmara Congo.

No total, de acordo com o movimento, tinham cerca de 13 caminhões para remover os pertences dos sem-teto. De acordo com ela, a reintegração era para ser pacífica, mas a polícia "chegou com truculência". "Eles chegaram por volta das 5h dizendo que iam entrar de um jeito ou de outro. Não tinha motivo para irmos para cima deles. Quando começaram a atirar as bombas, começamos a atiras as coisas em cima deles", afirmou.

Para a coordenadora da ocupação, o ataque a um ônibus na rua Xavier de Toledo, próximo ao local da reintegração de posse não tem relação com o movimento. "O que aconteceu foi que um grupo de pessoas se solidarizou com a causa e começou a atacar a polícia. Eu fiquei sabendo do ônibus queimado pela televisão. Não temos nada a ver com isso", disse Congo.

Em relação a onda de saques que ocorreu em meio a confusão generalizada, a coordenadora afirmou que houve "oportunismo de criminosos". "A única coisa que precisa deixar claro, a ocupação avenida São João era de famílias. Não somos o tipo de movimento que aparece para comercializar imóvel. Era tudo gente que pagava aluguel, que tinha sido despejado", afirmou.

O comandante da operação da PM no centro Glauco Silva de Carvalho disse que pessoas de fora se "aproveitaram do momento e se agruparam para atacar a PM". Segundo ele, não houve excessos durante a reintegração de posse e que essa foi a terceira tentativa de cumprir a ordem judicial.

Por volta das 13h, o comércio do centro de São Paulo voltou a reabrir as portas. Durante toda a manhã, com medo da confusão instalada por conta da reintegração de posse, nenhum estabelecimento funcionou normalmente na região das ruas São João, Ipiranga, Barão de Itapetininga e Xavier de Toledo.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave