UFMG promove o IV Colóquio Internacional de Fantasmagorias

O termo foi cunhado pelo pensador alemão Walter Benjamin, e abrange o capitalismo, a política, a religião e diversos outros temas abordados no evento

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

A lanterna mágica projetava imagens fantasmagóricas e foi o centro do tema
reprodução/ thelamplighterproject.org
A lanterna mágica projetava imagens fantasmagóricas e foi o centro do tema "fantasmagoria", proposto por Benjamin

Quando se fala em “fantasmagoria”, geralmente, a primeira imagem que vem a cabeça é a de um fantasma, ou espírito, no sentido literal. Mas quando se reúne em um colóquio pesquisadores internacionais e nacionais sobre o tema, a discussão é ampliada para os mais diversos assuntos, como a política, a arquitetura ou a fotografia. E é justamente com o objetivo de se estender o assunto, que a partir desta quarta-feira (17) começa o IV Colóquio Internacional de Fantasmagorias, realizado até sexta-feira (19) no Memorial Minas Vale, na praça da Liberdade, e promovido pelo Núcleo Walter Benjamin da Faculdade de Letras da UFMG.

Com base na obra do filósofo e sociólogo alemão Walter Benjamin, o colóquio propõe dissecar o tema “fantasmagorias” colocando em debate especialistas nacionais, europeus e norte-americanos. O termo veio da lanterna mágica, um dos precursores da fotografia, onde a imagem produzida ganhava o aspecto de fantasma quando projetada em nuvens de fumaça. “As pessoas que viram primeiro essas projeções nas paredes, achavam que eram sombras de fantasmas. Benjamin começou a usar o termo quando ele estava falando das inovações tecnológicas da modernidade”, explica a coordenadora do colóquio e professora da Faculdade de Letras da UFMG Sabrina Sedlmayer.

“A fantasmagoria não é um conceito, mas é algo que aparece muito no mercado, no capitalismo, porque tem a ver com desejo, com fetiche. Por exemplo, a gente sabe que o valor de uso de um produto, como um sapato, é diferente do seu valor de troca. Quando você vê um sapato de uma grife, como um Louboutin, há algo nessa grife que não é o sapato. Essa noção que o reveste é uma espécie de ilusão. O capitalismo força a gente a acreditar que é a essência, mas na verdade, é uma espécie de política das aparências. Isso também é fantasmagoria”, explica  a coordenadora.

O termo também envolve os aspectos ilusórios da sociedade de consumo, mas também transcende para temas como religião ou política. “Esse termo tem a ver com algo que volta, metaforicamente, simbolicamente, são imagens do desejo. Se você for pensar na politica, hoje, como fantasmagoria, você pega uma candidata que tem a fantasmagoria do partido, por exemplo. Em Hamlet, obra de Shakespeare, o enredo gira em torno de um fantasma, ou da crença nele. O desejo humano é alimentado por isso, porque a gente deseja o tempo todo, se baseando em imagens”, finaliza a professora.

Participam do evento nomes como Christine Blättler, Eduardo veras, Patricia Lavelle e Cristophe David.

Além disso, o colóquio também será o palco do lançamento do livro “Limiar, aura e rememoração. Ensaios sobre Walter  Benjamin”, da professora Jeanne Marie Gagnebin, doutora em filosofia pela PUC-SP e livre-docente na Unicamp.

O   evento pode ser conferido mediante inscrição por meio do site coloquiofantasmagorias.com.br, onde também são informados os valores, os temas e palestras realizados e a programação completa. 

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