Vilas têm mais carros e motos

Em dez anos, viagens feitas por transporte individual aumentaram quatro vezes nos aglomerados

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Situação. Pesquisa mostrou que viagens de carros e de motos passaram de 4% para 16,4% em dez anos
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Situação. Pesquisa mostrou que viagens de carros e de motos passaram de 4% para 16,4% em dez anos

Abandonar o ônibus para usar o próprio carro não é uma situação exclusiva daqueles que têm maior renda. Entre os moradores de vilas e de favelas, a participação do transporte individual aumentou quatro vezes. Já entre os residentes em bairros de baixa renda, quase dobrou.  

Segundo os dados da Pesquisa Origem e Destino, os deslocamentos de carros e de motos feitos por moradores de aglomerados representavam 4% do total de viagens em 2002. Dez anos depois, esse percentual pulou para 16,4%. Nos bairros de baixa renda a evolução foi menor, mas ainda assim significativa. No mesmo período passou de 16,3% para 29,4%.

Para Francisco Magalhães, especialista em transportes e trânsito, esse fenômeno está relacionado ao maior poder de consumo, que aumentou a possibilidade de compra de veículos particulares, somado à deficiência do transporte público nessas áreas.

Ele explica que a maior parte desses moradores formava o “público cativo” do transporte coletivo. Isso quer dizer que eles não tinham outra opção e se locomoviam de ônibus ou de metrô. “Os coletivos dessas regiões são os que têm a maior demanda e, por isso, são os que andam mais cheios e demoram mais nos deslocamentos. Com a melhora da condição econômica, quem tem a opção de sair do transporte público e ir para o individual certamente vai fazer essa troca. É quase uma libertação”, afirma.

Além de melhorar a atratividade do transporte público, o arquiteto Sergio Myssior destaca que é preciso incluir as moradias de interesse social dentro das áreas com maior oferta de serviços, o que evitaria os longos congestionamentos. “O poder público tem instrumentos para conceder incentivos a quem construir habitação popular em meio a empreendimentos voltados para o público de maior renda e próximo aos polos de serviço”, destaca.

O coordenador de Políticas Sustentáveis da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Marcelo Cintra, explica que a prefeitura já trabalha para viabilizar essa proposta sugerida por Myssior. “A última Conferência Municipal de Política Urbana aprovou uma série de incentivos para construção de habitação social. Por mais que se invista em transporte público, a melhor solução é mudar a forma de ocupação da cidade. Só assim haverá solução para mobilidade”.

Metrô

Evolução Entre 2002 e 2012, o número de viagens feitas por dia de metrô quase triplicou e cresceu 181%. Ainda assim, representa apenas 1,7% do total de viagens na cidade.

Nova linha Move. Em breve, a Estação São Gabriel, na região Nordeste da capital, passará a contar com uma nova sublinha integrada ao Move. Serviço. Ela será ligada ao ônibus 810, saindo da Estação São Gabriel para o bairro Parque Belmonte, também na região Nordeste. O aviso foi publicado no “Diário Oficial do Município” (DOM) do último sábado.

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