Moradia mais perto do trabalho

O designer Lucas Sallum, 25, se encaixa neste perfil: ele vai a pé para a Savassi diante da dificuldade em encontrar vaga no local. “Ali não tem lugar para estacionar

iG Minas Gerais | bernardo Miranda |

Se por um lado a Savassi é a região onde menos se usa o transporte coletivo, por outro, ela não lidera as estatísticas de uso de transporte individual. Diferentemente do que aconteceu nas demais regiões de alta renda, na Savassi os moradores começaram a andar mais a pé. Enquanto o uso de carro ou moto passou de 26,3% em 2002 para 31,1% em 2012, a participação de viagens a pé cresceu de 14% para 41,9% no mesmo período.  

Esse resultado já reflete uma tendência dos belo-horizontinos de fuga do trânsito caótico morando próximo do trabalho. Importante região comercial, a Savassi ainda tem uma localização privilegiada que permite o acesso ao centro e à área hospitalar, outros dois polos de serviços, com menos de 30 minutos de caminhada.

O designer Lucas Sallum, 25, se encaixa neste perfil: ele vai a pé para a Savassi diante da dificuldade em encontrar vaga no local. “Ali não tem lugar para estacionar. Andar de carro em toda a região Centro-Sul é muito ruim. Acabo resolvendo tudo caminhando”, afirma. Ele mora no bairro Funcionários, também na Centro-Sul.

O coordenador de políticas sustentáveis da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Marcelo Cintra, explica que já há uma tendência nas classes de alta renda de abandonar o carro para andar a pé. “Hoje trabalhar perto da sua casa é um luxo. E cada vez mais quem pode mudar para um imóvel próximo do serviço está fazendo isso. O problema é que esse tipo de comportamento está restrito às classes de renda mais alta, já que os mais pobres não têm recursos para escolher onde morar”, diz. 

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